Acumuladora de Emoções.

2018 foi um ano de incríveis mudanças em minha vida. Não consigo deixar de pensar em quantos passos firmes e positivos foram dados, em como a minha jornada sofreu drásticas mudanças – muitas para melhor – e no quanto me tornei uma pessoa mais decidida e consciente das minhas necessidades.

Dentre tantas mudanças, compreender o que preciso para ser feliz foi fundamental. Eu precisava parar de fazer escolhas e planejar meu futuro com base no que esperavam de mim. Antes de tudo, eu deveria me concentrar no que eu era capaz de construir sozinha com base em minhas necessidades. E foi por ser totalmente tomada por esse pensamento que ao compreender o que me faltava, fui capaz de refletir sobre o que me faz feliz — logo, recalculei a rota.

Ano passado, tomei a decisão de entrar numa nova faculdade. Finalmente cursar o que eu tanto desejei desde muito jovem, mas por medo, influência familiar, acabei adiando por quase 15 anos. Não direi que voltar a estudar foi uma decisão fácil. Meu orgulho e idade pesaram demais, afinal, eu estava numa carreia confortável, estabilidade financeira, a mente cansada de tantos anos de estudo… Mas algo estava faltando e eu não conseguiria me sentir inteira sem isso.

Foto autoral.

Também foi um ano de reconstrução. Percebi, através de muita terapia pessoal, que a origem de muita angústia/ansiedade é bem mais profunda. Eu passei anos construindo uma vida estável em cima de camadas e mais camadas de tristezas silenciadas, de dores eclipsadas. Um dia meu castelo iria ruir, e eu não saberia como lidar com a queda. Retrocedi e enfrentei monstros adormecido; constatei que não adiantaria mudar o hoje sem destruir as lembranças ruins que me fizeram reinventar quem sou. Foram anos de insistentes negações. Embora eu conquistasse significativas vitórias, sentia-me uma impostora — vivendo uma vida que não me pertencia. Num dado momento, deparei-me com uma triste realidade: me dediquei bastante em manter perfeito  a parte de fora da minha casa, e esqueci completamente do caos que estava dentro — as lembranças acumuladas em pilhas de ressentimento, as memórias ruins, os rostos que eu fingi esquecer, as quedas que ainda faziam meus joelhos sangrarem… Tudo ainda continuava amontoado aqui dentro. Eu havia me tornado uma acumuladora de emoções

E somente quando eu entendi o que me faltava, fui capaz reprojetar meu futuro.

A parte mais difícil é se manter consciente do que pode ser melhorado e do que é suficiente para ser feliz. Ter cuidado para saber diferenciar esses pontos é fundamental para deixar a “síndrome do impostor” bem longe. Foram longos anos sem compreender o que a voz distante tentava me dizer. Eu tinha uma vida pela metade. Eu nunca havia dedicado 100% das minhas capacidades em qualquer coisa conquistada até esse momento, porque eu sempre adiei meus verdadeiros sonhos — por medo de fracassar, por não me conhecer, não saber do que sou capaz, por medo do que há após o real sucesso. 

Hoje, depois de tantas quedas e anos de conformismo, estou saboreando a sensação de arriscar. Quando passei a me permitir errar, descobri quem sou. Eu? Bem, eu sou muitas.

Sou grata pela multiplicidade. 

 

Gostou? Compartilhe!
Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
Post criado 162

Deixe uma resposta

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo