Carta de Amor.

AVISO: este texto faz parte de uma coletânea de cartas de amor. Em breve postarei no #wattpad.

#1

Foto autoral retirada com um iPhone 8Plus e editada no VSCO.

Você me encontrou em uma dessas manhãs de abril, quando o dia se prolonga sem muitos ruídos, quando a hora dobra e o tempo parece ter perdido o compasso. Talvez o relógio tenha mesmo parado quando você surgiu. Não posso reclamar dele, até eu fiquei sem palavras.

Eu não sei como te contar, mas eu acho que ainda dormia quando você chegou. E embora eu tenha perdido a fala diante de você, fiquei ainda mais tentada a mergulhar nessas tuas imensidões. Há algo de fascinante em saber que até tuas partes rasas são profundas quando observadas de perto. Agora eu entendo boa parte de tua grandeza, talvez por isso há tantos de você habitando o mesmo espaço. 

Acho que isso que nos envolve é uma anomalia, um ponto cego no radar da maioria das pessoas, e sou bem grata por passarmos despercebidos — eu não saberia explicar esse holocausto que você causa em mim. Às vezes me pego tentando desesperadamente entender o que está acontecendo dentro dos balões sombrios, retorcidos e hilários de tua mente. Eu posso vê-los sobrevoando todos nós. Há mil cores neles, mas parece que o cinza nos atrai. 

Ao contrário de você, não sou de causar devastações. Eu passo longe dos tornados. Eu sou mais silêncio. Você me acha distante quando estou apenas calculando nossos possíveis desastres. Eu só quero ter certeza… Tudo isso parece louco e nada combina comigo. No entanto, estou aqui organizando as palavras de forma que você entenda que todas as grandes belezas reinam dentro de você — eu adoro isso. Eu gostaria que você entendesse esse meu jeito desastroso de fazer as coisas. Eu gosto de calmaria e você é um tornado. Eu ainda não aprendi a me segurar quando você passa e leva tudo consigo. Eu desabo. Eu tenho a impressão que te conheci em algum livro antigo, entre páginas amareladas. 

É possível que tenhamos nos conhecido dentro dessa ruína de sentimentos e medos. Você tem essa ingenuidade sentimental que teima em esconder. Me desculpe por revelar o teu segredo, foi a primeira coisa que notei. Desconfio que haja alguma cumplicidade entre você e as estações: você muda como elas, se inspira, se redescobre, se reinventa. Você não cede mesmo com as ações corrosivas de antigos amores.

Fico feliz em unir nossas vidas, mesmo com alguns remendos, antigas costuras, espaços vazios e pedaços de passado. Acho que tudo contribuiu para que estejamos hoje aqui. Eu continuo negando o óbvio, afinal, a verdade me causa desequilíbrio. Para você também? Me ensine a lidar com isso.

Uma pena que você ainda não tenha entendido que carrega o dom natural de transformar o caos em poesia. Você incendeia o mundo sem nenhum esforço. Espero que me desculpe pela imensa demora. Eu me perdi no meio do caminho algumas vezes. Mas o importante é que estou aqui agora.

Gostou? Compartilhe!
Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
Post criado 163

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.

De volta ao topo