E a árvore do vizinho?

É muito fácil acusar a árvore alta do vizinho de impedir que sua grama cresça, culpando seus grossos arbustos e sua copa alta de bloquear o sol. Difícil é batalhar todos os dias no jardim: regando-o, retirando as ervas daninhas, adubando-o… Muito mais fácil achar no outro a justificativa para seu erro.

Nossa sociedade anda abarrotada por preguiçosos, desmotivados, empurradores de sentimento, problemas, e escassa de soluções. Acostumamos nosso futuro a apontar o dedo para terceiros e jamais para nós mesmos. Não queremos receber em nossa conta, a soma das escolhas erradas e consequências. Se continuarmos nos negando a ensinar aos jovens que as escolhas ocasionam consequências – a curto e longo prazo –, favoreceremos (e aí sim, sendo responsáveis) a permanência do status quo dominante, olvidando nosso papel de repassar aquilo que aprendemos. É preciso inserir no processo educativo (familiar e escolar) métodos que transpareçam a importância de assumir a responsabilidade pelos atos, as escolhas, as opções e caminhos tomados, para que não continuemos a manter uma sociedade que culpa a vítima por ter sido, por exemplo, violentada.

Ao longo da História da Humanidade, seja ela religiosa ou totalmente social, tivemos exemplos de indivíduos, até mesmo sociedades inteiras, que culparam outros pelos erros administrados individualmente. Crucificaram um Salvador, destruíram um Império, enforcaram Revolucionários, omitiram a verdade… E todos esses exemplos estão por aí espalhados para transmitir a necessidade de praticar a honestidade em nossos julgamentos, sem esquecer de assumir a cota de responsabilidade porque somos seres atuantes, sociais, e o andamento da vida em sociedade, é a resposta para quem somos hoje e o que estamos ensinando para quem um dia será.

A solução não reside no ato de vandalismo de podar a árvore do vizinho. Deixe-a crescer livremente. É preciso aprender a concentrar suas energias no trabalho diário, descobrindo talentos e enfatizando vitórias. Incumbir-se é o primeiro passo para se alcançar a dignidade.

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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2 comentários em “E a árvore do vizinho?

  1. Palmas! Excelente texto, Faah. Eu posso até afirmar que você resumiu todo o problema atual da nossa sociedade com a seguinte frase: “Nossa sociedade anda abarrotada por preguiçosos, desmotivados…”. É sempre assim, é bem mais fácil culpar tudo que acontece ao nosso redor do que simplesmente tentar “arregaçar as mangas” e trabalhar por conta própria. É difícil demais fazer a própria sorte. Logo, os preguiçosos culpam o vizinho e até Deus, por todos os problemas que enfrenta. Genial, Faah. E nada mais direto vindo de você, de alguém que sente isso na pele, como educadora nesse país onde há um amontoado de bestialidades tomando o espaço do que realmente é importante.

    1. Obrigada, minha querida!
      Ah, alguns estão cansados, outros decepcionados, e alguns estimulados a permanecer intactos, sem criar nada, sem revolucionar. Parece que a atual sociedade estimula o cenário de inércia. Bem, não apenas a atual, digamos que herdados tal capacidade. É um sistema antigo e tem dado frutos lastimáveis e incontáveis.
      Exatamente, há um amontoado de bestialidade. Paulo Freire batia na mesma tecla, é uma “educação” para oprimidos e para oprimir.
      Obrigada pelo seu comentário. Você sempre presente por aqui. Sem você, acho que meu sítio estaria meio morto.

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