“É preciso inovar para cativar” – educação motivada.

 “Planejar aula vai além de organizar conteúdos, é também criar um ambiente agradável para o aprender. É preciso inovar para cativar”.

Eu tive alguns exemplos de professores que souberam me cativar. Foram fundamentais em meu processo de aprendizagem. Devo muito aos mestres que saíram dos planos didáticos sem alma, possibilitaram expandir os horizontes da sala de aula e valorizaram a criatividade. Eu não estaria honrando nenhum ensinamento caso não aplicasse todas as boas experiências e inovações em minhas aulas.

Cativar um aluno é ir além dos livros didáticos, é construir um ambiente de aprendizagem que propicie a interação, apresente ao aluno a compreensão que o conhecimento adequado diz respeito à sua vida, a seu mundo, valorizando a arte do pensar por si só. A interação criativa (muito discutida por Vygotsky, 1987) proporciona a prática de adquirir conhecimento para todos envolvidos – o professor deixa de ser o coronel possuidor da verdade e saber absolutos, para se transformar em mediador e aprendiz; do outro lado da esfera, o aluno, agora motivado para o processo de aprendizagem, não se esbarrando somente em regras, mas sim desenvolvendo competências, levando para a sua realidade tudo que fora aprendido nos limites da sala.

A repetição compulsiva de parâmetros didáticos, assim como métodos tradicionais de ensino, afeta diretamente o fluxo da arte de pensar e equilibrar conhecimento e prática. Se o professor mantiver sua postura de detentor total do saber, não se reinventar em prol da melhoria educacional, a relação docente-discente se tornará desmotivada, aflita e cheia de comodismo de ambas as partes. A aprendizagem se dá através da contextualização, o diálogo entre que ensina passa a aprender e aquele que aprende passa a ensinar. É preciso insistência dos dois lados – nunca será uma tarefa fácil –, é uma luta diária e nem sempre justa. Os pontos fundamentais de todo o processo de aprendizagem (professor-aluno) são responsáveis pelo sucesso ou fracasso; é impossível equilibrar o conhecimento sem a coletividade – que entra nessa soma como facilitador.

O professor precisa possibilitar o despertar da criatividade, imaginação e incentivar o descobrimento e valor dos sentimentos individuais; indicar os possíveis caminhos para o pensamento pleno – sem esquecer que as diferenças devem ser integradas, jamais destruídas ou desmotivadas.

É evidente que o professor é peça fundamental no universo educacional. Desmotivar-se de suas obrigações dentro e fora da sala de aula resultará no desânimo por partes dos “receptores” – abraçar a inércia do saber é esquecer de suas funcionalidades como mediador vital para que o aluno alcance toda sua potencialidade. Enquanto trabalharmos friamente sob uma lógica unicamente acadêmica/paradidática, seremos responsáveis pelo aumento desordenado de indivíduos sem opinião própria, repetidores de ideologias.

O conhecimento adquirido em sala deve ser, além de durável, capaz de favorecer o surgimento de libertadores e libertados. E nunca atingiremos essa meta se não juntarmos conhecimento e prática motivada. Sem motivação ninguém aprende. Impor verdades absolutas, desprezar a realidade dos alunos, menosprezar as diferenças e tentar transformá-los em seres puramente iguais em busca de outras metades (quando na verdade são seres inteiros e completos) é transformar o ensino nas escolas uma tarefa inquisidora, desgastante para ambos os lados e desnecessária.

Na teoria tudo parece muito simples, no entanto, levar motivação e dinamismo para dentro das salas é um pouco mais complexo, pois requer uma disposição dos mestres; uma preocupação com o impacto e utilidade que todo o conhecimento passado assumirá quando chegar ao aluno. Porém, o ser humano nasce potencialmente propício a aprender, é uma inclinação nata, basta estímulos internos e externos para que a “magia” aconteça. Separando os aprendizados considerados inerentes (andar, falar), o indivíduo terá acesso aos demais tipos de conhecimento a partir da interação social – responsável por florescer aptidões, potenciais, senso crítico, e amadurecimento de sua conduta –, logo, afastar a motivação/criatividade/novidade é dificultar o alcance da meta principal, e não refiro-me apenas a absorver conhecimentos, porque métodos arcaicos ainda são eficientes em relação a esse quesito, e sim transferir o saber adquirido em sala para a vida, dando funcionalidade e importância na realidade de cada indivíduo, respeitando suas diferenças e somando experiências. É facilitar que o processo de aprendizagem se revista de significado, sem que a mecanicidade cause, com seus professores tradicionalistas que exigem respostas rígidas, o desaprender a arte de pensar.

Pessoalmente, antes de me dedicar ao ensino, sofri uma pequena revolução pessoal manifestada através de uma ansiedade profunda em ver uma educação mais justa ser oferecida, capaz de me realizar como indivíduo atuante e professora, como também fazer com que cada aula ministrada fosse uma porta aberta para as mentes presentes. Ainda tenho muito a aprender (todos nós temos), estou caminhando em passos pequenos, conquistando uma sala de cada vez, um aluno a cada aula. É cansativo, longo, mas quando notamos que os efeitos são favoráveis e estimulantes, sinto-me completa, alimentada pela vontade de fazer da sala de aula um abrir de mundos e horizontes. Quero ajudar meus alunos a serem escritores de sua realidade e capazes de revolucionar de forma consciente todo o meio ao seu redor.

ftalunos
Meus! Bem meus!
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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
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