Elvis Presley e as memórias.

Nem todas as pessoas entendem meu amor incondicional por Elvis Presley, não é apenas o cantor e sua obra musical, como também a ligação entre suas músicas e a memória de meu pai. Tudo está ligado, e prefiro assim. Quero que haja conexões, justificativas, nada por “acaso”. Dessa forma, preservo as lembranças, envolvendo-as em uma cápsula de proteção.

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A primeira vez que ouvi Elvis, eu estava às vésperas de completar oito anos, terminar a primeira série, e empacotando meus brinquedos porque iríamos mudar de cidade. Eu ocupava um dos degraus da escada, montando meu pequeno grupo de teatro itinerante, formado por recortes de revistas e livros velhos que seriam jogados no lixo devido a mudança.

Meu pai passou pelo corredor, fazendo seu típico barulho firme no chão xadrez, ligou o som e se acomodou em sua velha poltrona favorita, que seria vendida na semana seguinte com a alegação de minha mãe “não vamos gastar mais dinheiro empilhando esse troço no caminhão de mudanças”. Tocava “Suspicious Minds”. Ainda lembro de seus dedos ásperos acariciando os buracos no móvel, se despedindo das memórias representadas por aquele “troço”.

A tarde se esticava pelo chão da casa enquanto a música embalava as lembranças de papai. Eu não entendia uma única palavra, mas gostava da sensação de ter aquela voz em meus ouvidos. Sentei ao pé da poltrona, papai repousou uma das mãos em meu emaranhado de cabelo e disse: “Esse é Elvis, o maior cantor do mundo” – o suficiente para despertar meu amor.

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Passaram-se vinte anos, (Isso mesmo vinte anos!) conheci outros artistas, enfrentei a era Backstreet Boys, conheci Silverchair, Nirvana, Iron Maiden, Dio e Deep Purple, mas nunca, em momento algum, deixei de ouvir Elvis. Sempre que preciso aliviar todas as tensões, esquecer que lá fora há um mundo concorrido, ou apenas para relembrar a melhor parte de minha vida, Elvis aparece.

Somente aos 10 anos, meu pai teve a complicada tarefa de contar que Elvis tinha morrido muito tempo atrás. Foi um choque. Chorei tudo que precisava chorar, e mesmo pedindo para meu pai trazê-lo de volta, aprendi naquele instante que “nem tudo é possível”.

Eu sou uma completa apaixonada, romântica melancólica e grudenta. Eu acredito no amor como salvação da alma, e claro, as músicas do Rei são responsáveis por serenar um véu de romantismo sobre todas as memórias, sensações, sentimentos e emoções. Sem esquecer, obviamente, que Elvis é o homem mais charmoso de todos os tempos.


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Posso ouvi-lo daqui trinta anos e me sentirei um tola apaixonada como agora. Ele não tem data de validade, sua música transcendeu a morte e as mudanças, simplesmente inesquecível.

Minha música preferida, com toda a certeza, é “Are you lonesome tonight?”, escrita em 1926 – auge do sucesso na voz do Rei na década de 60. A música é dividida em duas partes: uma cantada e a outra é recitada pelo apaixonado para sua amada.

Parte de todo esse romantismo que acredito nasceu nas músicas do Elvis, e a outra parte, aquela bem sentimental, porque sou filha de um homem que mesmo com as dificuldades, manteve-se apaixonado e fiel à sua amada, escreveu cartas de amor, fez serenatas, e embalou a vida de ambos com uma belíssima melodia.

Ando repetindo os passos de meu pai – amontoando meu amor com cartas românticas, acreditando que os sonhos são fundamentais para a sobrevivência, e que o amor pode vencer a morte, afinal, continuo amando-o com a mesma força sentida ao ter os cabelos acariciados.

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Adiós, gatinhas!
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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
Post criado 231

Um comentário sobre “Elvis Presley e as memórias.

  1. Ai que coisa marrrrr linda. Esse Elvis é uma sedução mesmo, de verdade. E todinho seu, ok? u_u Posso admitir que tenho o mesmo amor incondicional (que ás vezes a gente vê que nem todo mundo entende) pelo meu Freddie Mercury, é claro. Tive o mesmo drama quando soube que o Freddie havia morrido quando eu nem era nascida ainda. E meu pai falou que chorou tanto como eu no momento que soube. E claro, meu amor por Queen é graças ao meu pai, também. “Esse é o Freddie Mercury, o melhor cantor do mundo inteiro” Hahaha! Post lindo, super Faah, de verdade. Vou até ouvir um pouquinho de Elvis agora. AWOP-BOP-A-LOO-MOP ALOP-BAM-BOOM <3

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