entre filtros uma flor morre.

Foto autoral, retirada no bairro Rio Vermelho, em Salvador.

Estamos num estado de constante guerra contra nós mesmos; obcecados em suprir as necessidades do outro e suas expectativas sobre nós. Em algum momento da jornada, esquecemos a rota e os princípios individuais que conduziria-nos ao estado de completude e felicidade. Logo, optamos por mistificar a felicidade como algo estranhamente inalcançável (por mais que todos os meios de comunicação a defina como razão da vida) a assumir que demos ao outro o direito de conduzir nossas escolhas. Passamos a obedecer padrões e a criticar o outro que não se encaixa nos limites da fronteira. Rimos e criticamos aqueles que não possuem os padrões anatômicos para um corpo perfeito, o tom exato de pele ou a escolaridade necessária para entoar um discurso. Estamos fadados a nos preocupar apenas com as partes que cabem no padrão.

Mas e tudo aquilo que sobra, que não serve, não se encaixa? E todas as partes podadas? O que acontece com aqueles que não cabem? São esquecidos? Pisoteados? Ah, sim… Chamamos de oprimidos. Só que… se eles, livres das paredes claustrofóbicas, são os oprimidos, o que somos afinal?
Essa busca narcisística para ser o que esperam que sejamos, reproduzir discursos rasos com o intuito de receber aplausos tolos, provar aos outros que somos continuamente amados, que estamos constantemente felizes, funciona apenas como combustível para o maquinário de nossa inutilidade criativa como sujeitos. Essas urgências fúteis que ocupam boa parte de nossa vida são como filtros de uma rede social: mascaram a verdade, embelezam nossa patética situação de acharmos que somos melhores que o outro por seguirmos uma bandinha de padrões…

E quando a música acaba? E quando todos se vão? E quando resta apenas você e seus pensamentos, me diga, a máscara ainda tem alguma função?

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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