Eu, minhas descrições e os sonhos.

O texto abaixo faz parte da descrição em meu site na área destinada a AUTORA, porém, algumas pessoas, através do facebook, pediram que eu postasse para ter uma visibilidade maior. Aqui está, espero que gostem!

O ano é 1986: a ONU decretava O Ano Internacional da Paz; José Saramago lançava “Jangada de Pedra”; Jorge Luis Borges e Simone de Beauvoir se despedem do mundo; Black Sabbath lança Seventh Star, Queen faz um show memorável considerado o melhor de toda a sua carreira, e Iron Maiden presenteia o mundo com o álbum Somewhere in Time, elevado a categoria de melhor disco da banda.

E eis que nesse emaranhado de diversidades, surjo em 05 de novembro, em uma cidadezinha – sem cinema, parques de diversões, só com procissões, cachoeira no centro da cidade e muito quintal para correr e machucar o joelho – chamada Ituberá.

Venho de uma família humilde, onde comprar livros não podia ser uma opção ­– por mais que o meu pai desejasse tanto. Meu primeiro contato com a literatura foi através de uma coleção de histórias infantis, lida compulsivamente até decorar linha por linha.

Quando criança precisei despertar a criatividade adormecida em meu peito. Não tínhamos dinheiro para comprar brinquedos, eu precisava inventá-los até o Natal – quando finalmente eu ganhava uma única boneca. Não demorou para pular das latas de leite com areia e cordão e bolhas de sabão feitas com sabão em pó, para recortes de revistas, fazendo das modelos meus primeiros personagens. Era meu teatro itinerante, livre e único. Espalhava-os pelo chão da casa e durante horas, as – mais tenebrosas e dramáticas – histórias de amor surgiam.

Já fui Clarissa de Érico Veríssimo, mas sem o Amaro, por favor. Não tive meu Pé de Laranja Lima, mas confesso que cheguei bem perto, eu tinha uma planta chamada Eugênia, serve?

Ao longo dos anos, acumulei algumas desgraças, tragédias e decepções. A adolescência foi a pior fase. Superei-a ou apenas tentei esquecê-la. Em meus potes de vidros direcionados à colheita de memórias, colecionei quedas e um pouco de lama, afinal, para subir é preciso saber sua origem e jamais esquecê-la.

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Hoje, deixei Difran adormecida, sou melhor sendo Faah Bastos. Difran se tornou uma peça essencial que jamais envelhece, parou no tempo quando meu pai se foi. Ser Faah Bastos é sinal de força e dedicação, sem traços de meninice – estas deixo à cargo do marido.

Sou professora porque preciso passar ao mundo novas formas de valorizar a vida e o que realmente importa. Não desisti de nenhuma carreira, apenas encontrei algo que preenche as minhas necessidades. Nada é perfeito, tenha certeza. Enfrento um leão por dia, sou julgada a cada palavra que digo (algumas vezes nem preciso dizê-las), mas sei que estou contribuindo para o mundo de forma real. Ainda tenho receio de me apresentar como escritora, acho jubiloso demais para minha personalidade simplista. Escrever é uma dádiva, uma libertação da alma. Sou assim rústica como uma palavra bela riscada em pedra. Sinto-me assim sem precisar citar grandes textos, abusar das metáforas ou me jogar de cabeça em explicações que irão arrancar aplausos de uma multidão de desentendidos.

Juntei quase trinta anos de vida. Não tenho filhos. Ainda não possuo uma vasta obra literária. Como carne. Odeio dietas. Sou feliz e aprendi a valorizar a felicidade de uma cerejeira (para entender terá que ler meu primeiro romance “Sol em minha Noite”). Aos que me julgam pelas tatuagens espalhadas pelo corpo, os piercings ou as camisas cortadas com tesoura de unha e All Star sujo, estou além das aparências – todos nós estamos. Não sou uma pintura para ser classificada/estudada pelo que tenho por fora. Eu sou alma, sentimentos, coração – que não apenas bombeia, mas coleciona felicidades. Eu sou alguém com uma história, e você poderá ser o meu leitor.

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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4 comentários em “Eu, minhas descrições e os sonhos.

  1. Você é absurdamente linda. Porque no amontoado de tanto sofrimento, arranhões, perdas e defeitos, você se tornou alguém digna de admiração e amor – muito amor. Eu realmente me sinto honrada de ter conhecido você, sem dúvidas és uma das minhas inspirações pra olhar pra frente e com toda a coragem e rebeldia reunida, enfrentar esse mundo e romper todos os grilhões que tentam nos prender. E um dia, todos nós vamos ter a felicidade de uma cerejeira.

    1. Linda aqui é você, Vitória!
      Você esgota as minhas palavras de agradecimento. Às vezes, antes de escrever os posts, fico pensando “será que a Vitória irá gostar?” kkkkkkkkk
      Eu te adoro, meu anjo!

  2. Que texto mais lindo! 😀
    Eu fico feliz por saber que eu acompanhei todas essas nuances e transformações. Te vi crescer e se tornar esta mulher linda que você é! 🙂
    Me orgulho tanto de você! Você não faz ideia o quanto!
    Seu texto é lindo fundamentalmente porque você é linda!
    Tentarei escrever algo assim, se der certo, te mando o link no twitter. 😉
    Beijos no coração! :*

    1. Fêeeee linda!!!!
      Obrigada pelo comentário, sua linda!!!!
      Verdade, você acompanhou as imensas mudanças que ocorreram comigo ao longo dos mais de 15 anos que nos conhecemos. Da mesma forma, vi você crescer, se tornar uma pessoa maravilhosa de um sorriso autêntico e natural. Tenho muito orgulho de você, Fê!!!
      Quero muito ler seu texto, sério mesmo. Estou bastante curiosa!
      Beijos!!!

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