Eu não empilho mais idade. Eu somo experiências.

Eu envelheci muito cedo. Quando jovem não imaginava que iria beirar os trinta numa velocidade impressionante. Eu não lembro da maioria dos anos passados. Tenho a impressão que estive adormecida em boa parte dos grandes momentos da juventude.

Por um lado, toda essa idade tem me apavorado bastante. A velha história paranoica de contabilizar os grandes feitos realizados. Bem, devo confessar que grandiosos apenas para mim, como se a razão de fazê-los tenha sido um resultado unilateral de vontade, sem interferências diretas. De certa forma, soa bem mais proveitoso, não permiti que o mundo criasse expectativas em meu suposto sucesso.

(Eu não gosto da palavra sucesso. Sinto que tive a obrigação quase mecânica de ser feliz e mostrar o fruto dos esforços. Como se houvesse a necessidade de provar ao mundo que sou feliz. Eu não acredito no sucesso, mas confio na felicidade.)

Já do outro lado do rio repousa a serenidade como tenho enfrentado o somatório dos quase trinta. Não tenho me preocupado com a quantidade de fios brancos, as minhas linhas de expressões (elas já estão por aqui, e de alguma forma, acho reconfortante. Possuem algumas histórias.), as fadigas da obesidade e preguiça que se alastram quando adentramos na fase do “eu não preciso ser uma modelo para ser feliz”. Bem acho que cansei de todo agito, e não acredito que isso me torne uma “desmotivada”, só estou concentrando minha energia nas valias reais, não em tudo – quem sabe não aprendi com a vida?

Estou envelhecendo, não posso desacelerar o tempo. Ele simplesmente passa sem me perguntar se estou ou não pronta para enfrentar a adição de um ano em minha idade. Afinal, a idade é minha, não do tempo. Mas digamos que eu esteja confortada com o rosto de todas a manhãs, antes da base, do rímel, do batom. Eu gosto do que vejo, principalmente de meus olhos – ainda não os desvendei totalmente. Eu ainda olho para o mundo com a mesma mocidade de anos atrás. Me faz bem acreditar que existe milhões de outros mundos desconhecidos aguardando meus pés, os toques de meus dedos, as firulas de minha alma. É como acreditar que o mundo, assim como eu, está somando anos e ainda guardando surpresas, inesperados lugares.

Eu não quero enlouquecer até os trinta. Eu não preciso encontrar loucura em uma simples idade. Eu sei, eu sei… Ando em alguns lugares e sinto o peso dos anos fazendo loucuras em minhas costas, mas nada me impede de seguir, ainda tenho pés fortes e capazes de suportar as longas jornadas que me esperam em uma esquina qualquer. Tenho aventuras, sonhos, metas e necessidades – tudo organizado em uma tabela mental, enumerados de acordo com a importância, não idade. Não me lanço mais ao mundo, deixo para os jovens. Hoje, tenho aquela sensação de que o mundo se transforma quando criamos fé em nosso olhar, logo, o mundo me encontra e dançamos em conformidade, sem quedas, sem lances, sem incertezas desnecessárias.

Eu não empilho mais idade. Eu somo experiências.

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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3 comentários em “Eu não empilho mais idade. Eu somo experiências.

    1. É bom fazer reflexões, mas sem a obrigação de acharmos algum valor para tudo. Acho que só refletir se torna um tanto satisfatório, sem paranoia, desesperos.
      Pensar no tempo, fazer um balanço sempre será positivo, nos permite analisar o que passou e o que virá.
      Fico contente que tenha se identificado.
      Beijos!!

  1. Eu me li nesse texto. Em cada ponto e em cada vírgula… também me vejo assim, desistindo de algumas batalhas que hoje considero imaturas e concentrando minhas energias em coisas que hoje sei que realmente valem a pena.

    Os meus 30 estão ali na esquina e também me assusta essa sensação de que o mundo está girando acelerado e que a gente está perdendo os melhores momentos da vida em inutilidades… também escrevi sobre isso esses dias no blog… dá medo..

    Uma promessa que me fiz nesse ano que me separa dos meus 30 é que vou tentar de verdade viver um dia depois do outro, para o bem e para o mal…

    Beijos Fah! Seus textos tocam a alma!

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