Eu não mereço o prêmio de pior amiga do mundo.

Nunca fui dessas amigas que estará presente em todos os dias de sua vida. Para ser bem franca, eu serei aquela que sempre irá furar nos encontros, nunca irei aparecer nas idas ao cinema e nem para tomar um café despreocupado na esquina (tudo bem, a parte do café eu aceito!). Não sou de ligar e passar horas falando sobre como ciclana ou beltrana mudou, talvez esquecerei o seu aniversário, e sem muito esforço você viverá muito bem sem mim. Gosto de ser assim, meio que dispensável, meio que esquecida. No entanto, não acredite que mereço o prêmio de pior amiga do mundo, afinal, eu tenho sentimentos, e não devo ser julgada por me manter distante. Sou dessas que cultiva silêncio, abrigo e segurança. Aprendi a lidar com os meus medos sem expô-los por aí, nunca bati em porta de ninguém para repartir as desgraças, tampouco as vitórias. Dizem que não é nada saudável, e deve ter alguma ponta de verdade em tudo isso – ou não! De qualquer forma, deixe-me enfatizar: eu não mereço o prêmio de pior amiga do mundo.

Quando você menos esperar irei aparecer, e vamos conversar como se o tempo não tivesse passado, como se o relógio do mundo tivesse parado no exato instante que nos desprendemos, porque se lembre, eu gosto de distâncias! Vamos relembrar momentos gostosos e você me contará como anda a sua vida: as vitórias, os planos, as dores, os amores, tudo! Iremos fazer tricô de palavras, montaremos uma colcha de retalhos em questão de horas… Porque pessoas de bom coração não precisam de continuidade, de cotidiano, se satisfazem apenas com o existir do outro.

Ontem tive uma dessas surpresas gostosas, conversei por algumas horas com a , uma amiga de longa, longa data, da época em que eu ainda sentia calor quando via o AJ dos Backstreet Boys dançar, assistia Quit Playing Games (With my Heart) escondida porque eles ficavam sem camisa… Conversamos sobre planos, viagens e amores – temas básicos para reencontros. E foi entre uma conversa e outra, entre uma revelação e outra, que voltei ao passado, quase uns seis anos atrás (foi quando eu me decepcionei pela última vez com o sexo oposto), relembrando os tropeços, as lágrimas desperdiçadas, as longas e longas horas de uso que me tornaram alguém mais fria, seletiva e reclusa. Lembrei, até mesmo, do último e-mail que escrevi falando do quanto me sentia um vaso sem flores, uma cratera imensa que ninguém conseguiria arrumar. Até das respostas e atitudes que deveriam ter sido ditas e feitas por mim, alcançaram a minha mente e por lá ficaram. E foi essa lista de dores e decepções que me fizeram compreender – mais uma vez – que os tropeços podem elevar, nem todas as quedas lhe levarão ao chão, e principalmente, um coração amassado, pisoteado e humilhado tem todas as condições de lutar pela sobrevivência.

Vivemos multiplicando dores por mera escolha. Optamos (em muitos casos) arriscar em escuridão quando temos aquela leve ponta de desconfiança. Estamos proporcionando oportunidades para termos o coração quebrado. Bem, eu digo nós para ser complacente, mas quero dizer apenas vocês. Acreditamos na mentira porque é mais cômoda, e ficamos nessa vida até que um caminhão atropele as nossas esperanças e confiança. Somos unicamente culpados pelos nossos fracassos e dores, é o que tiro de toda essa história. Somos unicamente culpados pelos nossos fracassos e dores porque aceitamos as incertezas e as acolhemos como verdades. Quando compreendi que o amor deve ser calmo, companheiro, prestativo, atencioso, carinhoso e diário, entendi que vendi os meus sentimentos por migalhas! Hoje, sou uma mulher casada, às vésperas de completar 27 anos, e com um livro imenso de histórias de amor, dores, superação e reconhecimento para usá-las como fonte de ensinamento para o grãozinho de poesia que chegará ano que vem. E quero aproveitar o espaço para agradecer aos que:

– partiram o meu coração;

– pisaram em meus sentimentos;

– me fizeram gastar lágrimas puras;

– abusaram da minha vontade;

– quebraram as minhas esperanças,

Porque foram decepções como vocês que me fizeram capaz de encontrar um homem de verdade, um ser humano fantástico, e acima de tudo, um amor completo. Obrigada pelas aulas sofridas, eu aprendi e conquistei mundos melhores.

E tudo isso assim, relembrado em poucas horas de conversa. Entre trocas de piadas, revelações e recomeços. Me senti uma dessas cartas de amor que são lidas uma vez por ano, nos enche de algum sentimento gostoso e continuamos. É bom assim, muito bom. E melhor ainda saber que a minha amiga sente o mesmo, e devemos agradecer a continuidade da vida que segue mesmo quando estamos gastas demais.

Eu disse: eu não mereço o prêmio de pior amiga do mundo.

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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
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Um comentário sobre “Eu não mereço o prêmio de pior amiga do mundo.

  1. Oi Faah! 🙂

    Você é a própria poesia que acalenta o meu coração, sabia?! Obrigada pela conversa e pela escuta. Obrigada também por ter a esperança que às vezes me falta! Falar contigo é ter o coração abraçado e eu fico feliz por ser sua amiga!
    A vida é corrida, mas a gente não se esquece. No fundo, a verdadeira amizade é assim! 😀
    Fico extremamente feliz por você ser esta esposa linda e por ter um marido fofo que te complete. É extremamente merecido!
    Amo você! <3

    Um beijo,

    http://algumasobservacoes.blogspot.com.br/
    http://escritoshumanos.blogspot.com.br/

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