Evidentemente, meus caros, é amor.

Há quase sete anos atrás, conheci uma pessoa que mudou completamente a minha vida, não apenas auxiliou-me durante todo o processo de aceitação, como também compartilhou a sua vida comigo. Pode parecer um tanto clichê (e quando se trata de repetições românticas, somos especialistas), e mesmo não possuindo uma dessas histórias impossíveis e cheia de altos e baixos, vencemos juntos batalhas que, ao serem travadas individualmente, talvez não seríamos capazes de sairmos vitoriosos. Somos cúmplices e inteiros, não abdicamos de absolutamente nada para estarmos juntos, porque não queríamos viver amando e alimentar arrependimentos ou frustrações. Não digo que tudo não deu um imenso trabalho para alcançarmos o ponto que chegamos, a bem verdade, é que trabalhamos diariamente, criamos laços e estradas que facilitassem nosso caminhar e a união que tanto levamos em consideração.

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Alejandro Zambra em sua obra intitulada Bonsai, nos contou a história de dois protagonistas que sentiam uma necessidade de criar uma cápsula de particularidades responsáveis por retirar o amor que os unia da esfera da normalidade. Juntos, eram protagonistas de tantas outras histórias, e no bonsai encontravam as bases de fundamento para o sucesso da relação, porque se tornavam indivíduos ativos no quesito de “possibilitar a continuidade do amor”. Quando retiro a ideia do romance e trago para minha vida com Rafael, percebo que não temos tantas diferenças, exceto por uma apenas (a mais importante): não estamos interessados em assumir outros papéis, tampouco queremos nos destacar na multidão. Talvez jamais chegaremos ao ápice de sermos plenamente bonsai, e no entanto, ainda somos felizes com todas as trivialidades da vida. Estamos seguros porque criamos a nossa própria membrana impermeável, cuja as ações do tempo não serão fortes o suficientes para demolir toda a segurança e amor que nos envolve.

É bem capaz que tenhamos transcendido a própria ideia de amor natural.

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Não quero pensar que nosso somatório de anos equivale a incrível jornada de nossas vidas, ou que o tempo tenha nos favorecido com um tanto de arrogância ou cinismo. Somente estamos determinando que há algo mais intenso que a própria ideia de amor comercial. Admitimos (porque somos provas de sua existência) uma ligação que nos movimenta, proporciona energia e luz. Estamos juntos sem acordos matrimonias antecedentes. Não temos medo de ficarmos sozinhos; temos medo de não termos um ao outro.

Possuímos um museu particular, e não permitimos visitantes. Acumulamos brigas e alguns recordes de tempo para reconciliação. Aprendemos através dos tropeços, que a vida pode ser muito mais caótica caso não estejamos de mãos entrelaçadas. Fizemos a opção de não desistir, de estarmos sempre além do que esperam.

Talvez, você tenha passado por nós em algum momento, não notou nada que evidenciasse a nossa grandeza – a imensidão do nosso amor. Mas o fato de você ou qualquer outra pessoa não ver, não significa que não esteja lá. Somos apenas reservados quando lidamos com o amor, não aceitamos repartir o segredo, a linha sentimental que nos conecta. Aprendemos a arte do egoísmo dosador – sou por ele assim como ele é por mim, e nada além dessa lógica nos interessa.

Evidentemente, meus caros, é amor.

 

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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Um comentário sobre “Evidentemente, meus caros, é amor.

  1. Oi Faah . Venho acompanhando seu blog a algum tempo , sou ex aluna de Rafael e acho o amor de vocês simplesmente maravilhoso . Desejo toda felicidade do mundo a vocês e espero que um dia eu tenha um amor parecido com o de vocês

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