FRAGMENTOS

É um sussurrar que se manifesta na dor, e volto a esconder minhas mentiras interpostas em seus lábios como verdades mapeadas em seu sexo – uma viagem ao centro das minhas lamentações e injúrias que sempre desaguam na beira do cais, deixando a deriva aquela sensação de nostalgia dos dias renegados por alguma doença amorosa que se instala na catedral das minhas recordações, em meu coração farol que desatina na luz cortante da noite a trilhar um caminho iluminado sobre o mar calmo, silencioso, perdido nas tonturas poéticas que exalam do seu cheiro a se misturar com tudo que existe no mundo.
Fugir da sua presença é como aceitar o suicídio, enfeitá-lo com as mesmas doses sincrônicas desse cadafalso de medo que sempre me visita quando você fecha a porta, abandonando todo o meu corpo que ainda se controla pelo sopro da paixão que ecoou dos meus lábios fechados. Uma tortura, tenho dito, uma tortura nazista, ateando fogo no corpo desse pobre coitado que ainda recita em murmúrios tímidos declarações de amor para uma amada suprema, ultramarina de amor. Você, senhora das minhas vontades, é a chama que mantém meu porto em funcionamento, desembarcando seus navios repletos de arrogância feminina, beijos adocicados, e aquela existência em ser única – e por sorte, minha.

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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
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