Não há categoria que descreva nosso amor.

Não são poucos os que elogiam o meu relacionamento com Rafael (para os novos leitores, recomendo que vasculhe um pouco o arquivo do blog para ter uma ideia); os mais entusiastas do amor, nos qualificam como indivíduos idênticos, um caso sério de referência para os demais. Do lado de cá, a história não anda pelas mesmas linhas. Não acreditamos fazer parte de nenhum espetáculo emocional, tampouco nos encaramos como figuras livrescas que servem como exemplo; apenas amamos um ao outro de forma livre, sem receios. Sou a melhor amiga de meu amor, e ele, por sua vez, completa todas as partes que me formam. Se todo esse nosso particular meio de sentir nos transforma em únicos, creio eu que não seja, totalmente, pela forma que amamos, apenas porque resolvemos libertar nossos medos e somente amar.

Depois de alguns relacionamentos, o coração se torna um sobrevivente – alguns levam em sua estrutura vazios e machucados que podem demorar um longo tempo para encontrar uma cura ou solução; outros jamais se curam –, uma parte divisível de felicidade (a mesma que julgarmos jamais ter fim, e no entanto, a vida nos prova que podemos sempre estar errados). Associando-se aos tropeços, as marcas de um passado amoroso turbulento, nos desprendemos das cordas que nos sustentava em pleno voo livre, para andarmos descalços sobre o asfalto em chamas. Saímos, de alguma forma – por dor, decepção, cansaço ou motivação – da zona de conforto. É neste momento, na quebra dos grilhões que nos tornamos indivíduos acessíveis ao verdadeiro amor.

Talvez você não acredite, mas alguma vez já questionou se você, enquanto amava, foi de amor inteiro e suficiente para o outro? Sabe-se que todo o carnaval tem seu fim, e não acaba apenas porque um folião decidiu não mais dançar o minueto. Amar é como cultivar um jardim, é cuidar diariamente para que nenhuma ação externa ou interna provoque uma praga. Não se pode apenas desejar ser amado sem antes aprender a amar. Não se encontra a felicidade apenas puxando para si o que acha ser seu por direito. Não existe justiça quando amamos, apenas verdades – indivíduos que se completam através da entrega cúmplice.

Nosso amor (meu e do meu amor) segue o mesmo trilho lógico da felicidade. Não pulamos casas nesse jogo da vida, somente resolvemos jogar juntos, usar o mesmo dado, compartilhar a sorte – aquilo que me torna feliz, o torna também. Somos partes desiguais que resolveram se encaixar de alguma forma. Por loucura ou sorte, nos encaixamos perfeitamente.

Se eu tivesse acreditado na incapacidade do amor, tendo como base os fracassos amorosos do passado, de felicidade não viveria. Eu seria apenas mais uma pessoa presente no mundo sem entender o poder de viver um grande amor, sem pressa, sem quedas abissais, sem desmoronamentos sentimentais. Tenho aqui, em mim, em nós, um amor equilibrado (pelo menos ao nosso ver). Se estamos longe, nos desesperamos com a saudade. Ficar, ser, continuar – atributos verbais que designam verdades ao nosso amor.

Então, se por acaso acreditam que somos exemplos por tudo acima elencado, poderia aceitar, mas no instante que o fizéssemos, deixaríamos de ser quem somos para ser o que acham que somos. E sobre o amor, meus caros, não há categoria que unicamente nos descreva.

Fica aqui apenas uma prece,

Que se o meu amor for exemplo, que você então tropece – e seja unicamente feliz e livre.

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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
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4 comentários em “Não há categoria que descreva nosso amor.

  1. Que post mais lindo! Vejo as fotos de vocês dois que posta e acho que combinam perfeitamente, dá pra ver a sintonia sabe? ^^
    Amor é complicado… ou será que a gente complica demais? Não sei. Por enquanto prefiro seguir amando 🙂
    Beijos, minha linda!

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