Não somos completamente bons.

Acho que todo mundo tem o direito de errar algumas vezes e principalmente ser perdoado. Ninguém entra no mundo sabendo lidar com todas as situações e pessoas. Erramos. Já diziam que a vida é um jogo de tabuleiro oscilando entre tentativas e erros. Percebem que não em “acertos e erros”, mas sim em tentativas que talvez nos levem para o caminho certo ou – mais uma vez – ao erro. Não acredito que sejamos totalmente dotados de maldade e sentimentos ruins de modo geral. Ainda acredito – pelo menos de acordo com as pessoas que conheci até hoje – que temos uma curiosa tendência de tentar o melhor, mesmo sabendo que a tentativa não nos causa nenhuma segurança ou certeza.

Entretanto, quando machucamos alguém nos incide a obrigação, antes de nos desculpar, de reavaliar nosso propósito, nos ater ao estrago que causamos ao usar as palavras erradas, cometer erros, ou, o pior: revelar sem nenhuma preocupação do impacto que causaria, o que realmente achamos de quem machucamos. Não podemos exigir que o outro esqueça as ofensas ouvidas/lidas, as palavras carregadas de revolta… Por mais que parte de todo o teatro da mágoa, a pessoa se encontrasse em um estado de raiva e impulsividade, aconteceu. Aconteceu e de alguma forma você não sabe mais lidar nem com o que fora dito, o que passou e o que se perdeu naquele exato instante.

É preciso se colocar no lugar de todos, esquecer o egocentrismo e se fixar na ideia central que o outro se encontra machucado em doses abissais, e se queremos resolver as feridas abertas e/ou causadas com exclusividade, não podemos mesclar em nosso pedido de desculpas mais acusações, como se tentássemos diminuir o impacto de nosso ônus culpando o ofendido pelas calamidades gritadas, berradas sem freio.

Então, se você não está disposto a ser verdadeiro em suas desculpas e assumir os estragos causados sem querer dividir a responsabilidade, sinto muito, mas você ainda não é capaz de exigir que o outro as aceite. O compartilhamento da culpa será efetuada após as desculpas, quando ambos estiverem novamente em sintonia (caso ocorra), antes disso é apenas alimentar um ego, fingir que seus erros foram consequências de outro. Todavia, nós sabemos, bem lá no fundo, que é apenas medo de assumir que também temos um lado podre, danoso e vingativo.

Não somos completamente bons.

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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
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