Notas Românticas

As dualidades românticas vencem a dispersão entre a natureza e o social. Não é de se espantar que toda a contrariedade imposta nos escritos barrocos, ainda alimentem as tramas corpulentas de muitos escritores espalhados pelos espaços geográficos desse vasto mundo. No entanto, temo acreditar que muito de tais diversidades perderam, por descuido ou opção, completamente o sentido hoje. E notoriamente, nos vemos folheando obras fantásticas que evidenciam um romance residente na esfera do esperado, como uma receita de bolo muito bem seguida, sem nuances e atos inesperados. É corriqueiro amar, sofrer por tal desgraça, encontrar refúgio em alguma doença, e depois voltar a amar como num ato juvenil impensado.
Doravante, me encontro pensando que o amor, em muitos casos, perdeu o seu aroma diante das trivialidades literárias que abarrotam as prateleiras de tantas livrarias (eu prefiro chamar de “refúgio dos livros órfãos”). De uma forma perversa, muitas vezes profunda, a amálgama literal se apresenta como fonte de quase sustentabilidade da poesia entre os fracos, desperta – por sua vez – doses ministradas com talento, verdadeiras superações românticas que invadem corações bagunçados. Podemos, por fim, voltar a transitar entre mundos sem a necessidade de sairmos do lugar, adentramos nos universos imaginários e conhecemos com tanto zelo amores abarrotados de tamanha eficiência e drama, que, por descuido do próprio mestre criador da obra, se torna parte essencial da nossa continuidade de vida. É assim, meus caros leitores, que nasce um verdadeiro romance.

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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