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O AMOR É…

9 de setembro de 2012

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O amor é uma revolução interna, capaz de espalhar os destroços invisíveis pelas vielas da alma; equipara-se a uma frontaria armada em busca de uma liberdade jamais alforriada, pois amar é uma prisão perpétua, é uma arte solitária e desprendida dos anseios esperançosos de corações que ainda palpitam curiosas sensações de entrega. Têm-se como única companhia os gritos que ecoam agonizantes dos amantes defuntos que ainda suspiram saudades, cravando evidências de sua estadia nas paredes frias dos olhos cinzentos que emitem mentira quando se desesperam por uma gota a mais de esperança ensaiada.

A eclosão do amor não se dá através de uma obra literária, um bordado caprichoso com pontos definidos por dedos nervosos, não se permite uma guerra poética oriundas de incertezas programadas, costumeiras e evidentes, tampouco é capaz de esconder dos ditos olhos que tudo sabem, as lamurias incontáveis dos senhores que se entregam ao cadafalso do amor.

O amor é uma insurreição que invalida o ato sentimental do próximo. Não se abstém da suavidade do ar, do passar calculado das horas a tiquetaquear no relógio preso a um movimento repetitivo que não lhe permite o lufar da liberdade. Conta o tempo, mas não conta a sua própria vida. O amor, ao contrário da paixão, é um ato pensado, ministrado com louvor pelos mais sábios, atentos aos detalhes minúsculos e cotidianos de uma relação nem sempre regada por intensas intimidades. O amor é uma arte violenta que se manifesta como o doce veneno da ambrosia, despertando as lágrimas de uma borboleta perdida em um tornado sentimental do próprio medo. O amor é uma arte viva sem precedentes.

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