#textos, #work

Educar está muito além de ensinar regras.

12 de novembro de 2016

Educar está muito além de ensinar regras. É preciso entender a responsabilidade que cada professor tem em mãos. 
Durante o processo da busca pelo conhecimento, como detentora do saber, devo administrar os instrumentos que facilitam a construção do pensamento de forma justa e libertadora. Não tenho o direito de imperar minhas crenças e opiniões pessoais sobre qualquer assunto, pois devo aos meus alunos o direito da autonomia do pensamento. Se (somente se) desejo ensinar para dominá-los com minhas crenças (sejam filosóficas, sociais, religiosas, políticas…) estarei criando apertadores de parafuso do saber, não indivíduos capazes de equilibrar os sensos (comum e crítico) com o conhecimento científico. Por fim, terei falhado como professora e indivíduo. Eu não tenho autoridade e nem arrogância para determinar o que é certo ou errado para os meus alunos. É de minha suma responsabilidade auxiliá-los durante a busca do saber libertador, renovado, reflexivo, igualitário e inclusivo. Não sou, por fim, responsável por abrir as janelas do pensamento, mas ensiná-los as diversas formas de fazê-lo. 
Deixo aqui meu sincero pedido aos futuros professores: os senhores não são donos do conhecimento, não estão em totalidade sempre corretos e seus alunos não são instrumentos de suas vontades pessoais. Respeite a diversidade, principalmente do pensar. Ensine-os a serem livres. Nossa sociedade carece de indivíduos autônomos, escritores de sua própria história e idealizadores. Não contribua para o aumento de mentes bestializadas. Seja um verdadeiro professor.

 

#slide, #work

Meu novo livro – INDOMÁVEL – no Wattpad.

10 de outubro de 2016

Eu já escrevi dois romances – Sol em minha Noite e Sobre Todas as Coisas que Deixamos em Branco –, e, depois de um longo tempo planejando uma nova trama, eis que surge INDOMÁVEL. A ideia era um pouco antiga, mas fui desenvolvendo seus detalhes por um longo, longo tempo. Como fiquei cansada da obrigação de lidar com editoras, manuscritos e outros, resolvi apenas escrever e lançar ao mundo de forma bem livre e independente. Fiquei farta de tanta enrolação e demora. Eu amo escrever, criar personagens, tramas, romances, beijos… E escrever para ficar em uma gaveta nunca foi meu objetivo principal. Depois de alguns debates psicológicos e silenciar meu sonho de ser uma escritora de sucesso, resolvi postar meus trabalhos na plataforma WATTPAD.

Para quem não conhece, o Wattpad é uma comunidade online para escritores e leitores. É bastante simples. Basta criar um perfil, gratuitamente, e acompanhar diversos escritores e suas obras. Até mesmo alguns livros de sucesso nasceram nessa plataforma. Além de acompanhar pelo navegador de seu computador, você pode baixar o aplicativo em seu celular, Android ou IOS.

Em meu perfil você encontrará dois romances: Sobre todas as coisas que deixamos em branco, já concluído; e, Indomável, ainda em desenvolvimento. Todo o final de semana tem capítulo novo. Você já pode conferir o Prólogo e os três primeiros capítulos.

Quer sentir um gostinho? Leia o Prólogo, de Indomável :

“Se você resolveu abrir este envelope depois de perceber que sozinha será complicado seguir em frente, então tenho um convite a fazer. Largue tudo. Deixe cada pedaço de quem é agora exatamente aí, junte apenas o necessário e vá. Leve consigo as memórias, caso não tenha coragem de se desfazer de cada uma delas. Tudo irá acontecer no tempo certo. Conte suas feridas, os hematomas, as marcas profundas e vá embora. Aceite meu convite e embarque sem medir as consequências. Esqueça os laços aqui. Eu não posso ajudar sem que antes você perceba que é a única pessoa capaz de determinar o quanto existe de força em seu coração. Partir nunca é uma escolha fácil, mas, às vezes, é preciso. Só tenho a dizer que você deveria se encontrar, saber o que precisa, mergulhar fundo em você mesma, deixar de navegar em oceanos rasos. Apenas vá. Mergulhe. Respire. VIVA.

Por favor, viva.”

Gostou? Para ter acesso ao livro, basta clicar aqui:

#slide, #textos

Não precisávamos ser perfeitos para sermos felizes.

8 de outubro de 2016

Eu estive pensando em como começar este e-mail sem parecer que estou perdida no mundo. Bem, é certo que tenho deixado alguns assuntos importantes de lado, adiando decisões necessárias e acumulando dias estranhos. Mas não posso resumir o tempo em evitar você, não é mesmo? E talvez aqui esteja o motivo deste e-mail: é complicado evitar você. Eu tenho falhado na decisão de afastar qualquer pensamento que me leve até o passado, principalmente nos dias chuvosos ou quando o silêncio se desdobra sobre a cama. Confesso que a ausência de palavras sentimentais e responsáveis pelos nossos suspiros tiraram férias prolongadas de nós, assim como a cumplicidade do toque, as ligações inesperadas no meio da madrugada… O que sobrou? Recorrer as teclas gastas do meu computador para dizer o quanto a saudade de você tem causado um desgaste emocional desnecessário em mim. É certo alegar em sua defesa que resolvemos manter uma comunicação saudável entre nós; ainda perguntamos aos nossos amigos sobre como estamos lidando com a distância, o término, as novas escolhas. Mas você dirá que é apenas cuidado, uma forma de limpar a consciência sobre os danos sentimentais causados. Eu fico aqui tentando lidar com a saudade constante – um raio perfeito de energia que ao alcançar seu ponto final, permanece emitindo ainda mais energia.

Compreende agora a dimensão do meu transtorno? Se o senhor tivesse a mínima ideia do estrago que tenho causado na vida (ou a vida causando em mim), certamente cogitaria a possibilidade de ceder seu colo e perguntar como tem sido os dias sem você. E eu diria. Sim, eu diria. Eu contaria todas as tormentas, os dias estranhos no piloto automático, as reuniões com os amigos que insistem em saber se estou bem depois de você, as mensagens românticas no facebook que evito olhar, ou os filmes e as músicas que falam sobre nós. Afinal, sou dessas mulheres espaçosas que não sabem bem ao certo a quantidade exata de centímetros que posso ocupar na vida de alguém (e, talvez, só talvez, você goste de ainda ter tanto de mim em você). Alguns dirão que estou sendo fraca. Pois talvez eu esteja, só que aprendi com o tempo que silenciar vontades não ajuda em nada. Sim, eu contarei todos os meus medos, aflições e receios, porque mesmo após o fim, espero sinceridade entre nós.

Estou cansada. Estou cansada e parece que os pés se recusam a continuar. Não sei ao certo o que fazer. Andar sem você não me parece uma solução, é como se eu estivesse abdicando meu direito de seguir feliz. Afinal, tenho quase certeza que ao sair da minha casa você levou um punhado de mim em suas malas. Seria como deixar a estrada me esperando enquanto paro e descanso, recolho as migalhas, as partículas sobre nós, alinho meus pensamentos e engulo aquele maldito nó de angústia e receio instalado no centro de minha garganta. Agora resido aqui, exatamente aqui – lugar estranho que não consigo definir, mas é unicamente aqui. Talvez seja um limbo sentimental e romântico, o lugar para onde as almas que ainda não sabem lidar com o fim permanecem enquanto se curam. Às vezes, em noites claras e curiosas, me pergunto se de onde exatamente estou posso ver as estrelas.

Eu não sei o que estou fazendo com a minha vida. Dizem que é normal, uma fase esperada e passageira que assola a todos que tiveram o coração partido. O problema, meu caro, é não saber exatamente o que se quebrou em mim quando você se foi.

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Contudo, deixe-me tranquilizar um pouco seu coração: nem de tortura, quedas e feridas tenho vivido. Sabia que tenho lido mais do que antes? É como se eu pudesse encontrar você em cada anti-herói, no bandido sentimental, nas escolhas frustradas, nas lágrimas da mocinha. Ah, pois… eu sempre soube de sua bravura, mas você está ciente da minha? Quero dizer, você tem conhecimento de minha coragem, astúcia e capacidade de seguir? Eu tenho quase certeza que você também encontra vestígios de mim ao longo de seu dia; você jamais me soltou de vez, não é mesmo? É como se de alguma forma, possamos ainda manter nossas respirações em constante sintonia. Talvez eu esteja ficando louca – dizem que a saudade pode nos causar grandes desequilíbrios. Há dias em que imagino você esparramado em meu sofá, ocupando um espaço muito maior do que a minha sala; lendo minhas palavras, minhas declarações ou contando casos tolos do cotidiano, e seus lábios desenhando aquele sorriso responsável pelo quebrar de ondas em meu coração, criar borboletas, expulsar o cinza das nuvens. Meu amor, você ainda tem um dom.

Com o somar do tempo, compreendi que nosso amor segue fornecendo subsídios diários suficientes para curar algumas feridas – são como monstros esperando um deslizar qualquer. Todavia, mantenho-me firme, sustentando um dia de cada vez. E mesmo com sua partida forçada, você tem cuidado de mim ao manter cada memória sobre nós ainda viva, pulsando segura.

Um dia, você me disse que “Deus sabia exatamente o que fazia quando criou você”; hoje, depois de toda a dor suportada e vencida em doses silenciosas, posso dizer que Ele sabia muito bem o que fazia quando nos juntou. Fomos, ao mesmo tempo, criaturas românticas tropeçando na linha da vida em busca do amor perfeito. E talvez tenhamos errado ao achar que precisávamos ser perfeitos para sermos felizes.

Se eu pudesse, voltaria a ler contigo, dançar juntinho, assistir série, compartilhar bobagens entre risadas estranhas. Só que precisamos respeitar o fim, a distância, o espaço em branco que se criou entre o que éramos e o que nos tornamos. Lançaria um convite inusitado para uma viagem sem destino definido – apenas ir e deixar que o tempo fosse capaz de colar os retalhos em nossa história. É a saudade escrevendo por mim, desculpe-me.

Eu sinto mesmo é falta do “nós”.

Por fim, como vai você?

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Seu coração é como uma casa bagunçada.

17 de julho de 2016

Crônica retirada do livro Sobre Amores & Partidas. 

Veja seu coração como… Hum…

Imagine que você deu uma imensa festa em sua casa, ok? Você sorriu, se entregou, foi hospitaleira e deixou que entrassem em sua casa, em seu lar, em seu refúgio. Comeram de sua comida, beberam de sua bebida, repousaram em sua cama. A música acabou, o sol apareceu, a noite se foi. Todos foram embora. Você ficou. A sala está uma bagunça, os lençóis da cama sujos, o quintal um desastre. A casa casa bagunçada é como seu coração machucado. Existem duas opções:

Deixar assim e morrer soterrada pela dor, sujeira, as memórias acumuladas no canto da sala… Em alguns dias, o cheiro dele estará em tudo, até nas roupas limpas. As fotografias espalhadas pelas paredes serão como fantasmas responsáveis por assombrar seu presente. E tudo, minha cara, ficará pior. Você se queixará da falta de disposição e energia para mexer nas caixas de recordações, porque qualquer vacilo poderá derrubar seu coração numa cascata de histórias sobre vocês, sobre o quanto – em algum momento remoto do passado – foram felizes, de alguma forma. As pilhas e pilhas de lamentações, choros dobrados, soluços incontidos, arrependimentos e mágoas formarão um imenso muro que bloqueará as janelas de sua casa – você não verá mais o sol, nem sentirá o vento da tarde, o balouçar das folhas nas árvores, os galhos secos ao sol –, e não haverá como abrir a porta. Sem rota de fuga, sem condição de receber alguma visita de, sei lá, algum amigo prestativo que esteja disposto a ajudar com a limpeza.

Ilustração da talentosa Sara Herranz.

Ou começar aos poucos, sem exigir demais de sua disponibilidade, afinal, há um coração fragilizado dentro de você. No entanto, é preciso arrumar o estrago, tampar os buracos nas paredes, remover as fotos, limpar a pia, jogar as roupas e o cheiro fora. E enquanto estiver focada em arrumar toda sua vida, seu lar, reorganizar as defesas pessoais; alguns poucos amigos entenderão o quanto você precisará desse tempo de renovação, de buscar equilíbrio, de se fechar um pouco mesmo que não deseje a solidão. Raros serão os dispostos a levar o lixo para fora, junto contigo. A responsabilidade é sua, jamais esqueça. Toda a ajuda é bem-vinda, mas não espere que o outro limpe sua casa, tome as rédeas e determine o que fazer com todo o estrago deixado como herança. A casa é sua, amiga; limpe você.

É claro que precisamos pensar em alguns possíveis obstáculos como você não saber varrer, o que nesse caso seria a sua suposta capacidade de curar o seu próprio coração. Não fique bolada. Não saber e não ser capaz são atribuições bastante distintas. Ninguém nasce com capacidades sentimentais específicas, como “ei, fulano é ótimo em assuntos sobre coração quebrado”. Você apenas nasce (ponto aí). Ao longo da vida desenvolverá (ou descobrirá) capacidades, habilidades, talentos, experiências, desastres. O fundamental é tentar, não desistir quando tudo parecer complicado demais. É preciso ter esperanças quando o assunto é amor. Pense comigo, ok? Você tem um coração, eu também, não acha um puta de um desperdício ter algo tão lindo, ser capaz de sorrir e não voltar a amar? Não é mesmo?

Pegue a vassoura, abra seu lar, jogue todo o lixo fora e limpe seu coração. Quem sabe trocar as certezas do lugar seja uma opção? Ou melhor, quem sabe você deveria ter novas certezas, quebrar padrões e apenas ser?

Sua alma é seu lar. Seu coração é seu refúgio. Cuide-se de dentro para fora – leve o tempo que precisar. Se a dificuldade apertar, grite por ajuda. Você jamais estará sozinha na jornada da vida.

Ah! Não esqueça das flores para enfeitar a alma.

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Sobre a tal coragem de amar.

17 de julho de 2016

Crônica retirada do livro Sobre Amores & Partidas.

Eu tenho períodos de total descaso com minhas redes sociais, pouco tempo depois me sinto absurdamente motivada de dar o ar da graça de minha existência para todos os queridinhos amigos “virtuais”. E, foi num desses surtos de exibicionismo que, sem querer, tropecei este meme:

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A princípio, fiquei um tanto envergonhada, afinal, não me encaixo nesse tipo de pessoa que ama uma louca e extravagante manifestação de amor, já que eu estaria no grupo de “gente fria pra mim, é gente morta”. Segundos depois, quando realmente parei para pensar no quão é absurdo esses dizeres, compreendi que não sou uma pessoa fria. Bem, até posso ser diante dos olhos de quem não me conhece (mas aí já nem tem relevância, não é mesmo?), porém, dentro de mim há uma imensidão de sentimentos lindos que compartilho com aqueles que julgo merecer (lê-se: fazem por merecer).

Não! Eu não gosto de textão (sim, mas já escrevi alguns por amor), raramente posto uma foto com meu marido, não gosto quando ligam para mim, enchem de mensagens no whatsapp, nem quero ninguém gritando na porta de minha casa. Eu gosto do silêncio, da troca de olhares, do toque amigo, da sensação de compartilhar um mundo sem precisar dizer uma única palavra. E, cá entre nós, o que há de errado?

“Eu gosto do silêncio, da troca de olhares, do toque amigo, da sensação de compartilhar um mundo sem precisar dizer uma única palavra.”

Vivemos tempos difíceis, meus caros. Tempos em que estão por aí distribuindo tutorial autoritário sobre como amar, e pior: sobre o que é amor. Se amo igual, estou dentro; se tenho minha forma particular de amar, estou fora. Quando foi exatamente que passamos a concordar com toda essa baboseira?

Com um pouco de criatividade, alguns sertanejos românticos e boas doses de estrelismo, fazer um textão sentimental é bem fácil. Mandar um áudio encorpado e meio que tropeçando nas palavras é ainda mais fácil. Mandar indiretas para aquele tal amor que resolveu tocar o “foda-se” é ainda mais fácil. Mas amar não é nada disso, não é mesmo? Ou melhor, não é SÓ isso. Amar é ter coragem (ponto aqui). Amar é ir além mesmo quando você se sente cansado ou desmotivado, afinal, é através do amor que você abastecerá sua carga de energia.

“Amar é ter coragem (ponto aqui). Amar é ir além mesmo quando você se sente cansado ou desmotivado (…)”

Veja bem, não estou aqui tomando o lugar de quem antes me oprimiu – indiretamente – com o meme. Longe de mim, queridos. Estou mesmo é abrindo o leque de possibilidades, de novas formas de ver o amor em sua essência – sem friluras, rodeios, joguinhos e indiretas. Eu gosto do amor natural, o mesmo amor que me acorda com um beijo, e, sem escovar os dentes, diz “eu amo você” – com todas as letras, sem tropeçar, sem falhar, sem olhar para o lado; o amor em sua versão mais simplista e especial, quando rompe a porta de casa dizendo “Vivida, eu cheguei. Que saudade”!; o amor que me beija na testa na frente das demais pessoas, não por sinal de possessividade, mas numa tradução física do “eu estou aqui por você”; o amor sem birras, que não vai dormir brigado, nem se encolhe nas paranoias e suposições – o sincero!

“Eu gosto do amor natural(…)”

Eu não sou fria só porque amo para dentro e compartilho o que sinto bem baixinho. Não há nenhum manual prático sobre como amar, e acaso existisse, eu seria uma dessas rebeldes com militância própria incapaz de aceitar que o outro diga como devo ou não sentir. Eu sou direta, seleta, reflexiva, mas nunca fria. Jamais. Há dentro de mim uma fogueira poética alimentada por detalhes românticos que rodopiam minha vida. Eu sou portadora de um amor livre que, se bem eu quiser, pode ser escândalo ou silêncio sem avisos prévios, sem receio do achismo, dos julgamentos.

Eu respeito a sua forma de amar exacerbado, que transborda; mas não queira dizer que a minha forma (ou muitas delas) de amar não tem coragem. Eu vivo esbanjando amor baixinho, em sussurros, em assovios. Eu amo-passarinho, e nem por isso deixou de amor-ninho.