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Sobre a Amizade e o Amor

27 de junho de 2016

As amizades se manifestam como uma das possíveis variantes do amor; uma instituição matrimonial. E assim como se espera dos relacionamentos ao longo do tempo — as erosões, os acidentes emocionais, as quedas inesperadas das sensações, o acúmulo, as incertezas, inquietações e fracassos— se deterioram e chegam ao fim. É amor sem sexo, sem a pretensão de consumir o corpo do outro. Pode-se ainda ir além, e, determinar que a amizade se configura em diferença do amor pela ausência da pulsão sexual.
De fato, há uma disponibilidade favorável de semelhanças do que diferenças: ambos são marcados pela admiração, cumplicidade, proteção, defesa, possessividade. E neste ponto, ganho o direito de alegar que somos suscetíveis a confundir amizade com amor.
Há, sem sombra de dúvidas, rupturas evidentes que os separam, e são de imensa importância se queremos cultivar a sanidade emocional. Assim como o amor, podemos esbarrar com amizades benéficas, alimentadas pela positividade, a busca incansável pelo melhor do outro; como também, as nocivas, corrosivas, doentias e incapazes de salvar o outro (porque afogar o dito amado proporciona algum prazer para a mente calculista); Algumas são firmadas pelo tempo, outras se rompem com a brisa mais suave.

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Para amar você não era preciso estar junto.

19 de Maio de 2016

Trecho extraído do meu novo romance. 

(Este trecho não é nenhuma indireta ou relato pessoal do meu casamento – que anda muito bem, obrigada. É apenas um trecho extraído do meu novo romance. Para quem me conhece sabe o quanto adoro compartilhar pedacinhos apetitosos das minhas obras. É uma forma de manter o pessoal curioso e atualizado.)

Enquanto reorganizo meus pensamentos diante desta folha desbotada (a única que sobrou solta e perdida entre as caixas da mudança), a sonata Moonligh, de Bethoveen, rodopia pela sala, como uma criança envelhecida. Eu posso imaginá-la querendo bailar mas sem forças para o giro, o equilíbrio nas pontas dos dedos cansados. Quanta contradição – eu sei. Você dirá que estou atrasada demais para uma carta, fará questão de enumerar nos dedos as vezes em que fracassei na pontualidade sentimental. Mas, meu caro, era você quem sempre esteve atrasado em nossa própria história e fora incapaz de perceber que sua cegueira ia além dos sentimentos, das emoções, das memórias. Esta carta não é um adeus romântico como a priori pensei; trata-se de um relato mais aguçado das lições necessárias que aprendi, resumi e estou repassando para você como prova da minha gratidão por tudo o que vivemos um dia.

Devo desculpas de imediato, pois a natureza de minhas palavras podem ser amáveis, romanticamente belas, todavia, receberá o contrário, talvez até como ofensa. Só espero que não me culpe por sua falta de criatividade emocional, há aspectos que não conseguimos infligir ao outro sem que alguém saia machucado – e eu já carrego a minha cota de culpa.

Eu precisei traçar uma linha temporal do nosso amor, não queria cometer o erro de julgar suas tentativas de “dá um jeito em tudo” de forma errada, e para tal, relembrar se fez mais do que necessário. Ao longo de nossa jornada, você passou a acreditar que TER ALGUÉM era o suficiente para declarar como amor, mas nós sabemos – pelo menos quero acreditar que você seja capaz de entender – que TER uma pessoa não é um ato de amor, apenas mera escravidão. Não estamos lidando com problemas de semântica, meu bem. É a mais pura verdade. Amar alguém não lhe dá o direito de exercer sobre a pessoa amada nenhum tipo de contrato que impeça o outro de andar com seus próprios pés, sentir os batimentos de um coração plenamente LIVRE. E ao falar em algo pleno, deve entender que a plenitude não é imposta, tampouco pode ser conquistada pelo mesmo caminho daquele que nos antecedeu. A felicidade plena é buscável, e para obter sucesso é preciso diferenciar amor de posse.

Eu escolhi deixar você. Eu escolhi deixar você, não a mim, não o amor que sentia por você. Quando percebi que para amar você não era preciso estar junto, simplesmente me libertei – ao passo que também se sentiu livre por não ter mais a obrigação de me amar como resposta. Afinal, amar não é uma resposta, é a essência de tudo; não é o resultado, a solução; é o início, a fonte, o começo.

Ao bater a porta de casa e deixar todas as memórias naquele pequeno apartamento que dividimos ao longo dos anos, enfeitamos as paredes com relatos fotográficos de nossa felicidade efêmera, eu soltei você de mim, mas não me livrei de você. Pela primeira vez em anos, senti-me sozinha e não conseguia nutrir nenhum medo pela solidão. Estar só me fez um tanto mais livre e forte. Eu precisei abandonar aquele capítulo da vida para entender que o amor é equilíbrio, não recompensa. Para amar você, eu não precisava viver rodeada de brigas, consumindo frases como “o amor é um campo de batalha”, “é preciso lutar pelo verdadeiro amor”. Se é amor por que brigar? Se é amor, por Deus, por que devo lutar? Já é amor, consegue me entender? Se é amor, é, ponto final. Não há razões para insistir em ficar quando FICAR deveria ser a base de tudo. Lembro-me quando berrou para mim que nada dava certo porque eu era “louca demais”, “você está fugindo”, “pare de lutar contra nosso amor, ele é assim”, “você quer que eu te ame da sua forma”. Eu não estava punindo você quando deixei de acreditar em suas palavras. Para ser franca, quando passei a questionar suas alegações entendi que aceitar suas ofensas era a forma que encontrei para punir a mim mesma por amar alguém como você. Ou seja, ir embora foi a consequência de sua incapacidade de honrar meu amor por você.

Apenas consequência, e terá que lidar com isso.

Quando finalmente perceber cada soma de palavra aqui rabiscada, entenderá que o amor é capaz de renovar a si mesmo – sem ajuda, sem tentativas, sem tropeços, sem forçarmos, sem estarmos juntos. Só peço que tenha cuidado, não compreenda algo por mera obrigação, por me querer de volta em sua vida, e sim, porque ter consciência do real sentido irá transformar você em alguém mais leve, feliz e menos dependente.

Uma das grandes lições que aprendi com as quedas amorosas do nosso relacionamento foi parar de ter medo de perder você, passar a acreditar que o amor real é capaz de manter alguém ao meu lado por livre vontade. Não haverá briga, luta, batalha, cansaço. Será o que deve ser, apenas.

O amor nos liberta. Se for para viver amor preso, não é amor, é apenas sobrevivência.

Quando confessei, um pouco antes de partir, que minhas mágoas tinham criado um espaço imenso e branco dentro do meu peito acarretando a destruição da paixão que sentia por você, tudo se tornou uma imensa ofensa. Em sua cabeça limitada, ser franca era cinismo demais, como se a verdade saída de minha boca fosse motivada pelo desejo de vingança – machucar você como havia me machucado ao longo do relacionamento. Que pena, meu caro… Que pena! É lastimável perceber que ao pensar tal ato de mim era assumir (mesmo sem palavras) que o único capaz era você – provou em diversas situações. No passado, acreditei que suas palavras sujas tinham algum fundamento racional, eu, tola demais, doida demais, surtada demais, não entendia seu pensamento “progressista” – ideias de um homem muito além de mim –, quando eram só frases de um homem infeliz por não saber como reconquistar uma mulher como eu. Você dizia para mim o que achava de si. Recordo-me agora de um episódio em particular: você me acusou de não saber amar, que minha única qualidade era sufocar a sua vida. Levei um tempo, confesso, para entender que a ofensa é um reflexo do fracasso.

Agora tudo é passado, e, a música está acabando.

Não éramos diferentes porque éramos perfeitos. Jamais fomos qualquer coisa além de figuras românticas que viviam amores distintos. Não compactuávamos do mesmo amor, da mesma essência. Fingíamos bem, não é mesmo?

Deixo aqui meu alerta: é preciso respeitar o tempo e espaço do outro; o amor não justifica os meios; não se valida a dor com uma dose de amor-esmola.

Esta carta não é a minha última tentativa de ganhar de você um sincero pedido de desculpas, é apenas uma soma de lições, de reflexões sobre O amor – não UM. E eu não quero mais as suas desculpas, porque cada pedido seu de perdão é um ato de egoísmo, não é a mim que deseja pedir desculpas, mas ao seu próprio eu. Cada vez que machucou meu coração também feria o seu, só que era burro demais para perceber. No fim, eu segui a vida, mudei a rota, pulei do navio. Eu cansei de esperar o trem da consciência parar; resolvi seguir meu rumo com meus próprios pés. Eu encontrei a felicidade quando deixei de achar que só seria feliz ao seu lado. A felicidade não está escondida dentro do outro, mas em mim – plenamente em mim.

Você precisa pedir perdão para seu coração. E quando conseguir se desculpar verdadeiramente, entenderá que jamais precisei de suas desculpas para ser feliz.

Eu amei você intensamente. Eu já estive em seu lugar. Eu aprendi com as quedas.

Mas é hora de fechar toda a história e soltar as páginas no mundo. Eu espero que você consiga se tornar um alguém melhor, um homem real, um amor mais livre, pois quem você é no hoje, no agora, não me apetece mais. Cortei suas asas e estou voando sozinha para bem, bem longe de sua mediocridade.

Por respeito, deixo aqui esta carta.

Sem amor por você, mas repleta de amor por mim,

Aquela que virou andorinha-amor-adeus.

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Sobre envelhecer e suas lições.

25 de abril de 2016

Envelhecer tem lá suas vantagens, uma delas – e talvez a mais importante – é o acúmulo de ensinamentos e lições que passamos a carregar diariamente. Vencer os anos e somá-los, ao meu ver, tornou-se um jogo de caça-memórias, conquistas e novas formas de ver o mundo.

E ao somar idade, peguei-me refletindo sobre a minha vida – escolhas, rumos, as energias – e o quanto meu interior estava desgastado e frágil. Era como uma casa deteriorada pelo tempo, o descaso, as aflições, a correria da vida, o passar das horas; sem vizinhos ou interessados em fazer moradia por muito tempo. Salvo, claro, os corajosos que se hospedaram em mim enquanto ainda havia um teto. Foram períodos carregados de energias ruins e pessoas desnecessárias. Eu era consumida pela fragilidade de todas as coisas que me rodeavam, tanto as relações, os sentimentos, as certezas.

Distingue, então, duas espécies de fragilidade. Uma delas, que valoriza até determinado ponto, deriva de um medo de alimentar as opiniões erradas sobre mim, como se só existisse paz se todos me vissem como realmente sou. Já a outra, mantida quase em total segredo, é orgânica, original, a única – aliás – que me obriga a repensar na relação que encontro com meu “eu”, reavaliar as negligências, os anos somando cansaços, na negligência com o corpo, saúde, mente… Para que todo o processo ocorresse fora necessário a intervenção daquele breve momento em que me olhei no espelho num momento de raiva, e não mais me achei. Ali, exatamente ali, diante do reflexo, desconhecia aquela mulher de rosto ruborizado, têmporas franzidas, olhos dilatados. Eu era tudo, menos “eu”.

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Mesmo beirando os trinta, ainda tenho muito a aprender, configurar minha realidade e organizar minha casa interior. Não adianta remoer as mágoas, berrar ao mundo o que considero verdade, o outro só compreenderá aquilo que lhe convém. Ao resto? Nada. Eu estava errada quando forçava minha opinião diante de algo, era preciso entender que cada um parte de sua própria natureza, verdade, história, logo, sou mais uma no mundo querendo ganhar um pedaço. Se estou tão disposta a fazer com que os demais me amem, me respeitem, por que não pratico amor por mim, respeito por mim? Com as vitórias, tudo se torna natural; geração semeando geração.

Aos poucos, seguro os problemas e as pessoas desagradáveis por breves momentos – os lapido, ministro doses de equilíbrio e deixo-os ir. Não levo nada de ruim para dentro de minha casa, no leito do meu refúgio, pois aprendi a deixar do lado de fora tudo aquilo que não soma verdades, acumula pedaços, coleciona mentiras e fracassos.

A dor de uma queda não é mais a única forma eficiente de aprender. A dor não é mais minha educação e fé, tornou-se algo resgatável, usável, mas jamais fixo. É passageiro; emprestado; visitante. Deixei a crença de que só existe verdade, sobretudo, naquilo que sofre, nas feridas abertas e das decepções enumeradas. Não há vida na dor, na mágoa, no rancor, nos pesos do passado.

É no envelhecer que descobri que a felicidade é moldada, mesmo que não a busque, pois tenho em mim todos os motivos do mundo para sorrir. A felicidade, bem como os seus satélites, encontra-se nos detalhes, no ser livre; é um ato de alforria. Passo a acreditar que sou como Demiurgo criando minha própria parcela de ser feliz como fruto de minhas vontades, na realização como indivíduo inteiro e único.

Para mim, envelhecer é deliberadamente um ato para sábios e corajosos.

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“Eu a envelheci; eu a despedacei”.

3 de abril de 2016

Trecho retirado do romance “Sobre Todas as Coisas que Deixamos em Branco”, Faah Bastos.

(…)

Precisei de alguns minutos segurando a soleira da porta, antes de avançar pela calçada. Seria uma jornada longa e cansativa para quem estava começando a ver tudo duplicado. Um passo de cada vez, pensava. Os pés buscando rotas variadas, sem conseguir se manter em uma linha reta. Senti no peito um buraco negro e gelado ganhar vida. Um desvario. Uma fraqueza. E a rua tentava correr de mim. Não sentia falta de equilíbrio, o que me acertava era a ausência de tempo – capaz de amenizar as ações de Sofia; suficiente para equilibrar minhas emoções ao ponto de não sofrer holocaustos a cada descoberta de um novo espaço em branco. E num segundo que não consigo determinar, entre a Rua das Almas e a esquina do bar, fui resgatado pelo braço de Eleonor – com certo esforço, tentou me equilibrar.

“Eu sabia que o senhor estava enchendo a cara” – resmungou.

“Não estou assim tão bêbado” – aleguei em minha defesa. E em partes era verdade, visto que cambaleava de um ponto a outro por culpa do peso das inquietações. Um homem poderia sofrer os infortúnios da incerteza, eu era prova real das ações diretas causadas pela crise de não saber se o que sentia era mesmo verdade.

Na rua apenas silêncio. Ouviam-se os ruídos dos chinelos de Eleonor rasgando a calçada. As luzes dos postes iluminavam faixas de rua. Nossas sombras se fundiam nas paredes rachadas. Pedi um segundo, precisava de fôlego, ela acatou meu pedido, escorou-me na parede. Dois segundos e eu ainda concentrando o ar em meus pulmões. Cinco segundos, minhas mãos avançaram trêmulas nos braços de Eleonor, e sem pensar se haviam espectadores para a minha façanha, aninhei-a contra a parede. Lábios próximos, respirações se fundindo. Olhos que buscavam respostas – os meus faziam perguntas.

“Eu não tenho certeza” – confessei inseguro.

Ela sorriu como quem se divertia com a minha aflição. Seus lábios encostaram-se aos meus, e todo o mundo se dissipou.

“Um homem na sua idade não deveria acumular incertezas”.

Uma provocação. Um sim dito em outras palavras. E a sensação trôpega se instalara novamente no centro de meu estômago – era o tempo massacrando as entranhas.

Corremos ladeira acima, entre risos e provocações – uma infantilidade perdoada aos amantes. Pulamos a portinhola da entrada da pensão. Caminhamos entre o jardim alertando um ao outro sobre o silêncio. Ela disparou em minha frente, mexendo os cabelos – inquieta e perfeita ­–, saltando de uma trepidação a outra, sem pisar nas flores de dona Socorro, ao contrário de mim que ia chutando a terra sem propósito. Ela mesma empurrou a porta e dominou toda a sala com seu perfume, me limitei apenas a segui-la ao se espalhar no sofá. Apoiou sua face na palma de uma das mãos e me encarou com um sorriso estranho.

“Eu odeio solidão, e antes de você chegar, estava quase enlouquecendo”. – Ela mordeu o lábio inferior como quem evitava alguma confissão, voltou a sorrir e desfez o laço das pernas. – “Você me confunde”.

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Suas mãos dominaram meu corpo num abraço. Um segundo depois e eu já estava vulnerável aos seus ataques: a boca buscando meus lábios, os dedos desfazendo os botões da camisa, o vestido sendo erguido a altura da cintura revelando a calcinha infantil com flores bordadas à luz pálida de uma abajur no canto da sala, o arfar confuso sendo expelido pelos lábios rosados, quando não estavam determinados a beijar meu pescoço, corriam livres pela barba falha, minhas mãos trépidas a abaixar as alças do vestido rodado, e puxar para meu colo o corpo macio. A paixão transformada em sexo sem sentido, meio atrapalhado, dedos se encaixando, línguas se embaraçando, e as respirações descompassadas como notas musicais de uma sinfonia desconhecida.

Uma invasão e um sopro de susto e volição romperam os lábios de Eleonor. Enquanto saboreava o banquete servido, descobria que o meu prazer em passar a língua por sua barriga, deixava-a com a penugem eriçada. Seus dedos se espalharam pelos meus cabelos – algumas vezes formando bolos de fios e puxando-os para cima a cada lambida que sentia em seu circuito sexual. Suas pernas se moviam com a destreza de uma mulher experiente, acionando a minha excitação, e unida aos gemidos que produzíamos, descobríamos que estávamos fadados ao ato sexual.

Seu corpo é magro, quase mirrado, os seios pequenos como frutas ainda maduras se evidenciando entre os galhos. Tenho medo de tocá-la completamente e manchar a pintura inteira. Ela abocanha a minha boca com suavidade e percorre meu sexo com uma ingenuidade estranha. Sinto que perco alguns anos enquanto sou tocado, regressando ao pequeno e sujo apartamento que dividi com um colega de faculdade assim que conheci Sofia. Mas ali eu sentia novas sensações. Eu queria conquistar Eleonor como estava acostumado, e mesmo sussurrando em meu ouvido que desejava que eu a fodesse como fodia as outras mulheres, recusei. Mergulhei em uma atroz e silenciosa figura marmórea.

Eu a xingo e minhas mãos fazem as ações opostas aos meus xingamentos. É o que acontece quando deixamos o corpo prevalecer: o desejo nasce, toma controle e tudo se perde entre penetrações e arrependimentos. Não há restos, sobras a serem questionadas. É sexo, apenas isso, temos consciência da frieza ao lidar com tudo. Os restos, nas transas futuras, se manifestarão a serem descobertos, deixarão sinais claro do amor e perderemos a linha tênue. Não será apenas sexo. Seremos arrastados pela corrente, pela força do desejo sentimental.

Tropeçamos um no corpo do outro, favorecidos pela força da gravidade impulsionando nossos corações para a eterna cumplicidade. Desafiamos a cada gemido de prazer, espasmos e gozos expelidos de forma selvagem – outras carinhosas –, a morte insólita das conveniências sociais.

Fizemos amor durante todo o resto da noite. Após o sexo, percebo que Eleonor envelheceu, ou simplesmente eu a envelheci. Digo que está cansada e ela sorri tristemente. Eu a despedacei.

“Eu cresci” – ela diz e sinto que não está mentindo. – “Eu esperava por isso, como se todas as ameaças de vergonha de minha mãe tivessem me levado para sua cama”. – Sinto que o chão irá se abrir, mas me mantenho sentado ao seu lado, ainda segurando aqueles dedos ossudos. – “Eu estava destinada a isso. Não adiantou muito evitar, pelo menos não doeu”.

E eu sentia que a dor referida não era física, mas apenas sentimental.

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O melhor réveillon do mundo!

5 de janeiro de 2016

Entrei em 2016 com uma empolgação única. Fazia muito tempo que não liberava todas as energias negativas, jogava para o alto as palavras que me magoaram, os ressentimentos… Foi uma experiência incrível poder deixar muita coisa para trás e me concentrar apenas em ser feliz.

O ano de 2015 foi embora e com ele muita negatividade. Os últimos meses do ano foram complicados, carregados de palavras ruins, ofensas, dores de cabeça diárias e surpresas nem tão boas. Em contrapartida, também teve superação, reconhecimento e muita força de vontade. Aprendi tanto, tanto… Parece que a vida anda sorrindo de uma forma diferente para mim e, finalmente, entendi que nem sempre era com sarcasmo.

Eu sei que é bastante inusitado virar o ano ao som de uma banda de pagode – Harmonia do Samba –, mas vejam bem, poderia ter sido pior. Kkkkkkkk Tudo começou porque a minha sogra é louca pela banda e todos os anos passava na praia ouvindo a festa, mas não DENTRO dela, entendem? Resolvemos que ela merecia uma virada de ano com grande estilo, reunimos todos os filhos, as noras e embarcamos nessa viagem louca por ela, unicamente. Nos 45 minutos do segundo tempo, fomos atingidos por uma internação inesperada – minha sogra foi diagnosticada com embolia pulmonar. Pensávamos que estava tudo acabado, não haveria como ela ir. O natal foi dentro do hospital e foi assim até a terça, quando finalmente recebeu alta e liberação da médica para curtir a chegada do novo ano.

Com cuidados redobrados e muito amor, celebramos 2016 com sorrisos, declarações ao pé do ouvido, muita música com Ivete, lambada, música eletrônica e até pagode. Compartilhamos emoções positivas!

Foi possível comemorar tudo que rolou de bom em um ano que parecia não querer acabar. É claro que eu poderia reclamar de todas as partes ruins, torcer para que neste ano tudo melhore, mas não! Eu quero me concentrar somente no que foi bom, porque as partes ruins já foram vividas e aprendidas. Preciso manter minha mente, corpo e alma focados no que me faz feliz, aumenta meus sorrisos, encha meu peito de esperança e vivacidade.

Não adianta perder tanto tempo com os capítulos ruins da história, são os bons que realmente importam.

Eu existo para saborear momentos como vivi ao celebrar a chegada de 2016, dar adeus ao ano de 2015 – onde fui capaz de aprender tantas lições importantes… E agora, exatamente no início de uma nova jornada, estou mapeando as importantes mudanças que ocorreram tanto física quanto emocional. Cada vez que pulei, sorri, cantei, berrei bem alto foi como uma saudação aos novos tempos, ao ano em que farei 30, as conquistas que me esperam, as quedas que irão me ensinar ainda mais. É preciso celebrar tudo, absolutamente tudo, porque não sabemos quando o tempo final chegará.

É preciso celebrar tudo, absolutamente tudo, porque não sabemos quando o tempo final chegará.

Eu entro em 2016 vibrando de energia positiva, inspirando verdades e reconhecimento. Eu sei que não será assim o ano inteiro, mas pelo menos aumentei a minha reserva de felicidade para quando tudo parecer perdido. Eu agradeço pelas emoções sentidas e as próximas.

Feliz 2016 para todos nós! Muita, muita força para encarar um ano pedreira, e que sejamos capazes de achar a felicidade em tudo, porque merecemos, com certeza, uma fatia imensa do “felizes para sempre”.