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Sete notas sobre a Educação.

9 de fevereiro de 2015

(1)

Educar (em latim, educare) é locomover o indivíduo de um estado a outro, é sistematizar a interação através do conhecimento. Tal interação configura-se como capacitador de mudanças eficazes de homem para elemento ativo na sociedade.

Anteriormente, entedia-se que educação estava lapidada em três componentes pedagógicos: (i) o agente, aquele que passa o conhecimento, também pode ser um grupo, um meio social; (ii) uma mensagem, métodos, conteúdos; e, por fim, (iii) um educando, aquele que receberá o conhecimento. Entretanto, percebendo que tal relação triangular sofria de uma arrogância desnecessária (digamos), houve-se a necessidade de pensar no professor não como um instrumento de transmissão do conhecimento metodológico, mas sim um indivíduo que propiciará a dialética entre o conhecimento formal e informal, caracterizando o saber sócio-pedagógico – capaz de conscientizar o indivíduo, não somente alfabetizá-lo. O papel do professor faz-se necessário como coordenador das informações pertinentes, o representante do conhecimento, disponibilizando o diálogo entre os membros de um mesmo grupo, ao mesmo tempo, promovendo a reciprocidade de consciências.

Ensinar palavras, regras e obrigar a memorização de todo o conteúdo não é educar, é programar, transformar indivíduos com plenas capacidades de raciocínio em repetidores de palavras e conhecimento, sem entender seu verdadeiro significado e importância.

(2)

A educação deve ser considerada como a própria vida, não o fim ou a atividade a ser conquistada gradativamente por cada um, durante os anos escolares. Separar o processo educacional da vida nem é preparação ou necessidade, é opressão; limitar o educando à repetição de verdades absolutas – em muitos casos, criadas para mantê-lo em seu status quo – furta suas chances de mudar a própria realidade.

(3)

Educar não se concentra unicamente na ação de transmitir regras gramaticais, a área de um triângulo, as teorias da evolução, os fatos históricos; Educar está arraigado ao esforço de totalizar as energias na libertação do conhecimento mastigado, desestimulante, e desequilibrar os alicerces da sociedade que visa dominar consciências, não libertá-las para o pensamento livre.

No processo pela busca do conhecimento não há espaço para dominações impostas por uma estrutura baseada na opressão do pensamento. Da mesma forma, compartilhar arbitrariamente o saber não é propiciar instrumentos para uma educação libertadora, mas sim, tecer uma cultura situada na divisão de classes de acordo com sua posição na escala do conhecimento.

(4)

Qual a valia de saber escrever se não compreende a sua vida e o meio em que se encontra inserido? Como escrever sobre a vida – finalidade essencial do ato – se a desconhecemos?

(5)

O professor que opera a máquina do saber de forma arbitrária não está preparado para alforriar o livre pensar. Desestimula a graça de aprender e conquistar mundos através do conhecimento, da curiosidade, da necessidade em adquirir o saber.

(6)

O indivíduo que teve sua educação pautada no compartilhamento do saber, no ato de descobrir a consciência de sua existência, seu papel diante a sociedade, ver o mundo com olhos críticos, será capaz de buscar suas próprias palavras, representantes fiéis de suas vontades. Poderá, assim, escrever sobre seu mundo, de acordo com o ponto de vista mais importante, o próprio. Abdicará da cópia desordenada de dizeres, e passará a criar juízos (lê-se método de conscientização, segundo Paulo Freire).

(7)

É através da educação que o indivíduo aperfeiçoa suas capacidades e descobre tantas outras, possibilitando as mudanças na natureza (seja ela natural, social, cultural, econômica, etc…) como a si mesmo. É neste ponto que a escola se situa como uma organização especificamente responsável por transmitir a herança cultural, o conhecimento formal e didático. Entretanto, do outro lado dessa esfera, encontra-se a necessidade de favorecer a construção do pensamento crítico, do olhar curioso. E é justamente, através da dialética entre o saber e a práxis, que evidencia a gestação do novo, os subsídios necessários para a mudança – ocasionando a ruptura do pensamento arcaico.

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2 Comments

  • Reply Vit 14 de fevereiro de 2015 at 13:55

    “Ensinar palavras, regras… não é educar, é programar.” Você resumiu toda a arte do que realmente é educação nessa frase, pra mim. Educar está longe de ensinar equações matemáticas ou regras gramaticais. Educar é o que torna um ser humano como um real indivíduo. Parabéns, minha linda.

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 14 de fevereiro de 2015 at 14:25

      Obrigada, minha Vit.
      Beijos.

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