Sobre as brevidades e os precipícios.

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Eu vejo precipícios em seus olhos, meu amor; quedas inesperadas a cada mexer dos seus lábios e na imensidão da sua boca quando chama o meu nome. Eu vejo fantasmas conduzindo os seus movimentos, e tenho a certeza que você se despede como uma alma a flutuar sobre os nossos lençóis amassados. Eu tenho medo de você; medo dessa fera louca que você se tornou, com garras afiadas, escorrendo veneno por cada uma delas. Eu tenho pena de você, meu amor.

Há lugares vazios em nossas poucas fotos que colecionamos, nas ousadas que tiramos quando você, raramente, sorria. Eu guardei, confesso, os pequenos detalhes de nós dois, poucos até, insuficientes para formarmos um museu de reminiscências. Que breve fomos… E hoje me questiono se a tal brevidade das nossas necessidades se tornou o espelho das nossas fraquezas, dos deslizes não recompensados e das escolhas erradas que nos permitimos viver.

E agora, sigo consciente das desgraças existentes em sua boca pálida, em seu olhar morto, em suas palavras tolas… Sigo porque me tenho inteiro, me protegi dos meteoros de esperanças e das futilidades românticas que acercam casais que recém descobriram o poder da cumplicidade. Sigo porque ainda tenho em mim duas palavras: emoção e profundidade – as quais jamais fizeram parte em seu vocabulário. Deixo aqui, apenas para você, uma gota de saudade.

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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