E então você se apaixona…

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Já tive amigos que ao se deparar com a paixão, trocaram as vias e evitaram colisões. Eu, muito certa das minhas ideologias românticas, resolvi arriscar, permitir que o trem continuasse na mesma linha, e se a rota chegasse ao fim, bem, deveria me preparar para continuar o trajeto a pé. Na teoria, a paixão é bastante simples. Não se tem muito o que pensar, questionar ou atribuir problemas. Você conhece a pessoa, descobre afinidades, seu coração dispara, passa a maior parte do tempo pensando nela, e pronto, você está apaixonado. Simples, não é? Mas como sabemos, na prática a história tem duas vias, dois transeuntes que não demonstram o que realmente estão pensando ou sentindo. É complicado ceder um pouco ou muito de você mesmo para outro alguém. Você passa a relembrar todos os tropeços e mesmo sabendo que pode se ferrar com classe por causa dessa nova paixão, já é tarde demais, seu corpo continua queimando, queimando, e a área específica do seu cérebro que dita as necessidades para o resto do seu corpo, anda soletrando o nome da outra pessoa.

Posso dizer que depois de ter cumprido algumas sentenças românticas em minha vida, e acumulado algumas depredações da alma, nada mais justo que alegar “meus malditos amigos tinham lá suas razões”. Se apaixonar é fácil, manter-se apaixonada é uma droga. A típica droga que vicia, e transforma os seus dias em tentativas – nem sempre dignas de sucesso – de dar prolongamento ao sentimento, afinal, ainda há algumas barreiras a serem vencidas antes do primeiro “eu te amo”. Algumas pessoas – e não precisamos citar diversos nomes, até mesmo o meu) antecipam essa trágica frase com poder de desencadear o despertar de erupções vulcânicas em nosso corpo, acelerando os batimentos e desejando transformar tudo em pele. Talvez aí, devido a esse “aceleramento” desproporcional, ou não muito bem pensado, derrapamos na história romântica, mudando o curso da importância e o fluxo dos sentimentos. Palavras não satisfarão, e dizer eu te amo já implica em troca sexuais de favores – pelo menos na prática isso anda funcionando para muita gente!

Eu devo confessar que “paixonices” já tive várias, dessas de querer grudar na pessoa e não deixá-la ir, de atrasar o elevador, de esconder o relógio para ninguém ter conhecimento do tempo passando. Contudo, paixão que tenha impulsionado o meu trem para estradas mais tortuosas e íngremes, como o amor, posso contar nos dedos, e ainda sobrarão muitos. Quem sabe eu possa alegar que sou mais feliz por ter descarrilado o meu trem algumas vezes, ao contrário dos meus amigos, para no fim ter esbarrado na trilha que me proporcionou algumas felicidades a mais em minhas pilhas de boas reminiscências. Ou dizer com toda a convicção que as minhas tentativas fizeram de mim uma mulher melhor. E você, já pensou se pegará o trem hoje?

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Faah Bastos
trintona, escritora nas horas tortas, estudante de Psicologia, professora e louca por bichos!🌟
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2 comentários em “E então você se apaixona…

  1. “E então você se apaixona” Me deu uma pontada no coração só ao ler isso. kk
    Senhor, é algo inexplicável está apaixonada. É aquilo que consome você por inteira e quando você vê… já foi tarde demais, você quer gritar pro mundo todo que está apaixonada. É algo muito fácil, a paixão, na teoria, porém… na prática é um turbilhão de sentimentos num só. Ai! E eu estou nesse trem, e pretendo ir até o final – se tiver fim.

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