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Fragmentos Românticos

7 de novembro de 2012

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Havia saudade escorrendo pelo tecido fino e bordado da toalha de mesa. Dedos desprendidos de paciência, corriam de um lado a outro, tocando talheres, deslizando pelo cristal do cálice. Ocupavam as pontas com receio que se ocupassem; o medo de resvalar pele com pele e explodir tentações incontroláveis.

Não se olhavam, trocavam lapsos de visão. Prestavam atenção em tudo, no mexer do cabelo de outra senhora sentada algumas mesas distante, em um homem robusto a tagarelar de boca cheia. Olhar para frente era pecado, preferiam pensar. Ela usava pouco perfume, o suficiente para deixá-lo desperto, enciumado por não conseguir se embriagar. Era proposital. Preferia criar uma trilha de tentações e implorava em silêncio que ele fosse homem o suficiente para percorrê-la. Do outro lado, ele se perdia em detalhes desnecessários. Ela pintara as unhas com uma cor selvagem, seria algum sinal? Olhar jamais, cheirar quem sabe.

Ausência de palavras.

Tempestade de pensamentos.

Eles se buscavam, tropeçavam nos sinais, mas cegavam-se à medida que se desejavam. Amar um tanto quanto louco não era mais permitido. Culpa do tempo, alguém poderia dizer. Bom seria, pensavam, se o mundo todo fosse somente deduções, fórmulas de amor que funcionassem, talvez assim a saudade sumisse, mesmo um em frente ao outro.

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14 Comments

  • Reply Thayna 7 de novembro de 2012 at 21:44

    Amo contos de romance, ainda mais tão bem escritos *-*

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 7 de novembro de 2012 at 22:13

      Ah, muitíssimo obrigada.
      Em breve novos fragmentos.

    • Reply Flávia de Melo 10 de novembro de 2012 at 17:27

      Faço das palavras de Thayna as minhas. Amo poder visualizar em minha cabeça as cenas que leio, principalmente saber tão descritivamente como os personagens se sentem.

      • Faah Bastos
        Reply Faah Bastos 12 de novembro de 2012 at 10:22

        Acho que faz parte do romance, de um texto carregado. Sentir o que as personagens sentem é uma dádiva.

  • Reply Vitória Santos 8 de novembro de 2012 at 11:38

    “Bom seria, pensavam, se o mundo todo fosse somente de deduções, fórmulas de amor que funcionassem, talvez assim a saudade sumisse, mesmo um em frente ao outro”
    Muito, muito profundo… Um silêncio acompanhando turbilhões de pensamentos e desejos… Me senti assim lendo isso. Espero mais fragmentos, super Faah.

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 8 de novembro de 2012 at 11:49

      Novos fragmentos, um novo romance, nunca se sabe.
      Preciso confessar que ao finalizar essa parte, olhei para os lados e me senti pesada. Alguma coisa procurava algo novo dentro de mim. Sentir a pena dor de alguém, mesmo sem conhecê-la tão profundamente, desperta certo medo. Ando conversando com esse casal, tentando criar uma ponte entre ambos para que me contem seus segredos e se tornem um romance. É, eu sei, parece loucura, mas eu crio uma relação íntima com meus personagens. Eles existem em mim, já é um começo.

      Abraços.

      • Reply Vitória Santos 8 de novembro de 2012 at 13:06

        Que incrível. Isso é completamente admirável… longe de ser loucura. É por isso que acho tão intenso os teus textos, por isso que me envolvo e os sinto. Você já deve está cansada de falar isso, mas, a maneira que tu escreve é íntima demais, e isso é que me prende em tuas palavras. Começou com o “Vosmecê quer casar”, rs. >< E é isso te faz diferente e fascinante, o fato de você sentir seus personagens.

        Beijo, beijo.

        • Faah Bastos
          Reply Faah Bastos 8 de novembro de 2012 at 13:13

          Ah, que adorável da sua parte.
          Quero aproveitar e dizer que seu texto preferido recebeu uma nova roupagem. Sim, fiz várias modificações e ficou bem maior do que já era.
          Em breve postarei aqui. Espero que goste.
          Sobre a parte da intimidade com os personagens, em meu caso, acho necessário. Eu não quero escrever um livro apenas para dizer que o fiz. Eu quero criar mundos, possibilidades e sentir emoções já sentidas ou não. É essa a magia que tento colocar em meus livros. Sou uma eterna escritora em desenvolvimento, jamais serei boa o suficiente, até porque, acredito que quando (se) um dia me sentir assim, morrerei em seguida. Quando se cria essa relação com os personagens e convive com os mesmos, tudo fica mais intenso, e até o complexo se torna interessante. Eu odeio textos sem detalhes, sem pontes firmes que permitam o leitor caminhar de uma ponta a outra. Eu gosto de romances não sinopses, uma síntese grosseira do que poderia ter sido. Não tenho preguiça em detalhar nada, e talvez por isso somente escrevo sobre o amor e suas ramificações, porque falar de amor em doses medidas é pecado.
          Obrigada pelo comentário.

      • Reply Henrique iPod 9 de novembro de 2012 at 1:26

        Olha que coisa linda de se ler esse comentário?! Dá vontade de pegar sua mente, mudar o formato pra .txt e tentar decifrar *-*

        • Faah Bastos
          Reply Faah Bastos 9 de novembro de 2012 at 10:18

          AHHHH, seu bobo!!!
          Você largue de sensualidade para o meu lado, viu? Ai, ai. u_u
          Beijos, meu lindo!

  • Reply Clara 18 de novembro de 2012 at 19:35

    Nossa adorei o trecho, de onde você tirou esse fragmento? porque é muito bom

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 18 de novembro de 2012 at 19:52

      Eu retirei de um conto que escrevi recentemente.
      Obrigada!

  • Reply Layse Hana 8 de dezembro de 2012 at 12:52

    Interessante a imagem que você escolheu…
    Parece a descrição de uma cena achei bem legal!

    xoxo

    • Faah Bastos
      Reply Faah Bastos 8 de dezembro de 2012 at 14:11

      Escolhi com tal propósito.

      Abraços.

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