Um pouco de café para abarcar a consciência.

Eu queria escrever sobre mim, não necessariamente um monólogo frondoso das emoções jamais eclipsadas pelas obrigações da vida. Estava disposta a sentar e escrever sobre como me sinto leve e profundamente conectada com as novas diretrizes. E no entanto, entre o momento em que esperava a cafeteira finalmente produzir uma café saboroso, a distância entre a cozinha e meu laptop sobre uma mesa velha e sem personalidade, acabei perdendo a linha do pensamento. Permaneci parada, segurando a imensa xícara sem entender como foi possível, em um simples lapso, eu perder todo o rumo de minhas certezas.

Não, meus caros, não reencontrei o ponto de partida anterior ao esquecimento. Apenas parei de tentar achar a ponta da linha perdida. De certa forma, acabei percebendo o óbvio: eu vivo perdendo as linhas, os rumos, as pontas, os caminhos. Por mais planejada que esteja a minha vida, ainda me pego criando sabotagens, manipulando os resultados e mascarando as derrotas. Estou monopolizando minhas vontades como um narrador onipresente.

E ainda aqui, rabiscando ideias e revelações, deparo-me com a estranha similaridade com uma maratona de filmes. A vida se tornou em alguns pontos, lapsos precários, corrompidos, entre o terminar de um filme e a breve espera angustiante para mais um novo título. Dentro desses lapsos eu vejo a vida como realmente é sem os ornamentos falhos que insisto em colecionar. Durante um tempo incerto e esquisito, jamais premeditado, quase acidental, sou obrigada a encarar a narrativa real do que se passa em mim e no mundo. Fechar os olhos deixa de ser uma opção quando as luzes acendem. Restou somente a ideia de logo em seguida poderei mergulhar novamente em minha fantasia, mas agora enquanto estou consciente de minhas ações, escrevo. De alguma forma, a literatura tem se afastado da minha vida – não a real, mas sim a totalmente planejada –, afinal, é complicado confessar, mas todas as vezes que escrevo me despedaço; desfaço a cápsula invisível de proteção que alimento viciosamente.

No breve clarão de consciência, descubro que minha mente é um espaço livre para as imagens – se misturam com os sonhos e produzem metas, estilos e caminhos.

E é a temperatura do café que me faz entender que meu lapso durou um pouco mais que um breve momento.

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Faah Bastos
Resido na casa de Escorpião, 29 fucking anos. Eu não tenho um blog. Eu escrevo em um cafofo virtual. Selfie é uma forma de contar as rugas – eu amo! Escrevo aqui porque ficar calada nunca foi meu forte.
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