#faah, #oquevemdepoisdos30, #slide

Vibrar pelo imprevisível.

27 de agosto de 2018

Foto tirada com iPhone 8 Plus.

Estamos beirando o fim de 2018, e a sensação é praticamente de dever cumprido. Acredito que tenha sido o primeiro ano – se eu der uma olhada rápida para os anteriores – em que me dediquei bastante em recuperar a autonomia da minha vida. Eu tracei uma lista razoável e realista de mudanças necessárias que fariam uma revolução dentro de mim. Eu queria chegar aos 32 anos sabendo que dei o meu melhor em vários aspectos, e ficar realmente satisfeita com os resultados. 

E aqui estou – retornando para o meu blog, me dedicando apaixonadamente ao meu livro As Borboletas também Choram (ficou largado em uma gaveta qualquer pelos últimos cinco anos), cuidando da minha saúde tanto física quanto mental, e tentando olhar o mundo com novos olhos

Vocês podem pensar que apenas escrevi clichês, que não há nada de novo em traçar planos, e devo concordar. No entanto, as grandes surpresas não têm sido as conquistas alcançadas, mas a trajetória até aqui – perceber as mudanças visíveis (outras nem tanto), repassar as escolhas, os caminhos refeitos e/ou construídos do zero… É como um dos poemas mais famosos de Robert Frost “The Road Not Taken” – A estrada não percorrida

“Duas estradas bifurcavam numa árvore,

Eu trilhei a menos percorrida,

E isto fez toda a diferença.”

Eu optei pela estrada, até então, esquecida, imprevisível, que desperta uma inquietação por não termos como controlar os resultados. Não há nada certo nela, exato, medido. É tudo instável, inseguro, e mesmo assim, vibrante. Talvez era isso o que eu precisava: vibrar pelo imprevisível sem ter certeza se o resultado seria agradável, satisfatório ou valeria a pena os esforços. É claro, eu precisei de muita coragem para não desistir antes mesmo de começar, e força para continuar mesmo nos dias ruins. 

O resultado? O resultado é que amadureci antes mesmo de colher todos os frutos das conquistas. Eu parei de olhar para a terra castigada dos outros jardins e concentrei minha energia em fazer a minha semente germinar. Ver o esforço florescer é uma das sensações mais incríveis que experimentei até hoje. 

Hoje, recepciono os últimos meses de 2018 com o gosto da sabedoria se expandindo na boca. Eu precisei me perder para ser capaz de encontrar novas formas de voltar para casa, entender que algumas batalhas devem ser travadas sem ajuda para sabermos do que somos capazes; e que também precisamos ficar um pouco só para sermos capazes de ouvir nossos próprios sons, ruídos, gemidos. Foi através dessa jornada que me deparei com uma Faah desconhecida, e até mágoas que jamais pensei que ainda residiam em mim – anos após anos ficaram emudecidas, apenas se alimentando de resquícios de positividade, sabotando minha energia nos momentos em que mais estive fragilizada. Não foi fácil, mas ainda estou de pé

Foram meses em que me permiti olhar para minha vulnerabilidade e sorrir. O fato de me mostrar sempre forte ao mundo não me dava o direito de mentir para mim mesma. Aceitar suas vulnerabilidades é um ato de coragem – não há espaços para a covardia. Sou mais forte hoje porque reconheço as minhas próprias quedas

Gosto de pensar que estou em transição, assim como meu cabelo. Uma transição que nasceu da vontade incontrolável de explodir, do cansaço de assumir um posição de distanciamento inabalável. Eu acreditava que minha força residia na ideia de ser dura, de manter o mundo do lado de fora e esconder minha fraqueza embaixo de várias camadas de indiferença fabricada. Eu estava errada, por sorte. Minha força reside em conhecer meus pontos altos e baixos e reconhecer que sou humana, amável e tenho sonhos (e diga-se de passagem, estou cansada de não vivê-los!).

Ainda tenho novas trilhas pela frente, tantos outros desafios e um punhado de lições para aprender (quem sabe também repassar). Por sorte, o ano ainda não acabou, e aquela sensação de imediatismo tem diminuído constantemente – as coisas acontecem quando estamos preparados para lidar com elas. Gosto de pensar que não sou uma nova versão de mim mesma, só parei de ter vergonha de ser quem realmente sou, e esse processo de redescobrimento tem despertado paixões adormecidas.

Às vezes, não precisamos de um novo lar, apenas trilhar outras maneiras de voltar para casa – e quem sabe durante o trajeto perceber os pequenos detalhes que deixamos escapar

 

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